Avião feito pela Embraer participou da operação

A Operação Fénix, que resultou na morte de Raúl Reyes, marca o batismo de fogo do turboélice brasileiro de ataque Super Tucano, rebatizado A-29B na Força Aérea da Colômbia (FAC). O governo de Álvaro Uribe comprou 25 aviões da Embraer por US$ 234 milhões, em 2005.Segundo o Ministério da Defesa colombiano, foram mobilizados vários aviões destinados, inicialmente, a dar cobertura à Força Especial Fénix, formada por 3.000 homens do 2º Batalhão de Deslocamento Rápido e do grupo tático da Polícia Nacional, incumbidos de cercar e atacar a Frente 48 das Farc, na vila de Santa Rosa, ao sul do Rio Putumayo, onde, segundo agentes de campo, estava Raúl Reyes.A aproximação da tropa e de helicópteros obrigou os guerrilheiros a cruzar a fronteira do Equador e avançar dois quilômetros, até o distrito de Granada. A aviação da Colômbia decidiu bombardear o local com armas inteligentes, guiadas por sinais laser e lançadas pelo Super Tucano a partir dos limites colombianos, como explicou o capitão A. Mendez, do Comando Aéreo de Combate-Cacom 3. O ataque pode ter sido feito com bombas brasileiras do tipo cluster: elas se abrem no ar e fazem chover 2.200 flechas metálicas de 1,3 gramas sobre o alvo. A FAC usa também a mesma classe de armas com até 60 pequenas granadas de fragmentação de fabricação americana e francesa. Ambas são orientadas em vôo planado de longa distância pelo sistema ótico Brite Star, escolhido para equipar o Super Tucano. O índice de letalidade é superior a 90%.O A-29B leva 1,5 tonelada de cargas de ataque, mais duas metralhadoras .50. A tripulação de dois pilotos (arranjo escolhido pela FAC) tem ao seu redor o mesmo pacote de recursos eletrônicos encontrado a bordo de caças da última geração - inclusive sistemas de visão noturna. Mede 11,14 metros, voa a 550 km/hora e pode permanecer até 7 horas em patrulha armada.O homem da face mais conhecida das Farc, Raúl Reyes, temia a morte que teve: localizado por um sinal de telefone, rastreado por satélites e aviões eletrônicos de inteligência. O Estado falou com Reyes várias vezes, sempre por meio de um aparelho telefônico de longo alcance. O chamado era interrompido por ele a intervalos entre 30 e 90 segundos para impedir a definição das coordenadas. A FAC tem duas aeronaves com essa capacidade, o AC-47T Fantasma e o pequeno S-A37. Além, claro, das informações fornecidas pelos imensos Awacs americanos da base de Manta, no Equador.

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