Avião levava arma para Síria, diz Turquia

Moscou nega irregularidades, protesta contra medida e acusa governo turco de maltratar passageiros; para sírios, Ancara violou regras

ANCARA, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2012 | 03h01

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse ontem que um voo civil da Rússia para a Síria interceptado pela Força Aérea turca na quarta-feira continha munição e equipamentos militares destinados ao Ministério da Defesa sírio. A declaração agravou as relações diplomáticas entre Damasco e Ancara, ruins desde a semana passada, e levou a Rússia a protestar contra a ação turca.

"Havia equipamentos e munição enviados da Rússia para o Ministério da Defesa sírio", acusou Erdogan. "Estamos investigando ainda e, se necessário, tomaremos medidas em seguida."

Segundo o jornal turco Yeni Safak, simpático ao governo Erdogan, havia dez contêineres no avião, um Airbus A320 da Syrian Air. Neles, foram encontrados receptores de rádio, antenas e partes de mísseis.

O avião, com 37 pessoas a bordo, entre passageiros e tripulantes, foi liberado para seguir viagem rumo a Damasco após passar cerca de oito horas no Aeroporto de Ancara. Erdogan recusou-se a revelar como a Turquia soube que o Airbus transportava equipamento militar.

Críticas. Horas antes, o governo da Rússia, por meio de uma nota, acusou a Turquia de pôr em risco a vida dos passageiros, dos quais 17 eram russos. Segundo o porta-voz da chancelaria russa, Alexander Lukashevich, o governo turco negou o acesso de autoridades consulares, médicos e alimentos a seus cidadãos.

O Ministério de Relações Exteriores da Turquia negou as acusações de maus tratos e, também por meio de um comunicado, declarou que o avião da Syrian Air havia sido alertado de que poderia retroceder, mas optou por entrar em espaço aéreo turco.

Ainda de acordo com a chancelaria, o piloto não informou a lista de passageiros. O governo turco fez um protesto formal contra a Síria, acusando-a de violar regras internacionais de aviação.

Damasco também criticou a medida turca. O chefe da aviação civil síria, Ghaida Abdul-Latif, disse que o piloto do avião foi surpreendido pelos caças turcos. Um dos passageiros, um engenheiro sírio da Syrian Air acusou as autoridades turcas de algemar a tripulação antes de vasculhar o avião. O governo sírio pediu a devolução das peças.

Na Rússia, a administração do aeroporto de onde decolou o Airbus afirmou que não havia carga proibida a bordo e a documentação estava em ordem.

Confrontos. A Síria viveu mais um dia de violência ontem entre rebeldes e tropas leais ao ditador Bashar Assad. A Província de Idlib teve os confrontos mais intensos, segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, entidade dissidente com base em Londres. Ao menos 12 pessoas morreram. / AP e NYT

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