Avião malaio com 298 a bordo cai na Ucrânia

Ministério do Interior ucraniano afirma, citado pela agência 'AFP', que aeronave foi derrubada por míssil terra-ar

Andrei Netto, Cláudia Trevisan, O Estado de S. Paulo

17 Julho 2014 | 12h24

(Atualizada às 22h45)  Um Boeing 777 da Malaysia Airlines que ia de Amsterdã a Kuala Lumpur caiu nesta quinta-feira, 17, na Ucrânia, matando todas as 298 pessoas a bordo. O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, acusou grupos separatistas pró-russos de cometer um “ato terrorista” ao abater o avião com um míssil. Uma fonte ligada ao governo americano disse não haver dúvidas de que um míssil tinha atingido a aeronave.

A informação de que o voo MH17 havia desaparecido foi divulgada às 12 horas (horário de Brasília). 

Conforme a agência Reuters, pelo menos 100 corpos foram localizados na região da queda, muitos dos quais ainda afivelados a seus assentos. O avião estava a 10 mil metros de altitude e cruzava uma região conflagrada pelo choque entre o Exército ucraniano e milícias separatistas entre as cidades de Donetsk e Luhansk, próximo à fronteira com a Rússia. A queda ocorreu 24 horas depois de Kiev acusar separatistas de ter abatido três aviões militares, todos no leste ucraniano. “Foi o terceiro caso nos últimos dias, depois dos aviões An-26 e Sukhoi Su-25 das Forças Armadas ucranianas abatidos desde o território da Rússia”, disse Porochenko. “As Forças Armadas ucranianas não efetuaram tiros que pudessem atingir alvos aéreos.”

A principal razão para as autoridades ucranianas acreditarem que os separatistas derrubaram o avião é uma conversa entre rebeldes orgulhosos por teem abatido um avião que julgavam ser militar, logo após a queda. Segundo a France Presse, a conversa foi divulgada em uma rede social russa que transmite comunicados do militante Igor Girkin. O post inicial dizia: “Avisamos para eles não voarem no nosso céu. E aqui está um vídeo de outro ‘grande pássaro’ caindo. O avião caiu atrás de montanhas, áreas residenciais não foram atingidas, pessoas inocentes não foram feridas.” O post dizia que o avião derrubado seria de transporte militar, um AN-26.

De acordo com Pierre Servent, ex-porta-voz do Ministério da Defesa da França e especialista em estratégia militar e questões de defesa, a hipótese de que um míssil tenha derrubado o avião inclui equipamentos militares que os separatistas na Ucrânia não têm, mas que podem ser encontrados no lado russo. 

“Não podemos descartar 100% a possibilidade de uma explosão por pane técnica, mas a hipótese mais forte hoje é a de o avião tenha sido abatido”, disse o aviador Gérard Feldzer, ex-piloto de linha e especialista em aviação civil. “A questão que podemos nos fazer é se a zona não deveria ter sido evitada.” Após a queda, companhias aéreas como Air France, British Airways, Lufthansa e a russa Aeroflot, informaram que não sobrevoariam mais o território do leste da Ucrânia. 

O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, disse que avião foi “aparentemente” derrubado. “Não (foi) um acidente”, declarou em Detroit. Citando fontes não identificadas, a imprensa americana informou que Washington já concluiu que o avião foi atingido por um míssil. Resta saber de onde ele partiu. No início da tarde, Obama falou em “terrível tragédia” e ofereceu “toda a assistência possível”.

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