AFP PHOTO / Ye Aung Thu
AFP PHOTO / Ye Aung Thu

Destroços do avião militar que desapareceu com 120 pessoas são encontrados na costa de Mianmar

Autoridades enviaram navios militares em uma operação de busca após a aeronave perder contato com os controladores aéreos

O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2017 | 08h36
Atualizado 07 de junho de 2017 | 21h20

RANGUM, MIANMAR - Um avião militar birmanês com 120 pessoas a bordo desapareceu nesta quarta-feira, 7, dos radares em Mianmar e destroços da aeronave foram encontrados no mar.

As autoridades lançaram navios militares em uma operação de busca após o avião, com 120 pessoas a bordo, perder contato com os controladores aéreos.

Acredita-se que mais de uma dúzia de crianças viajava no avião, que decolou da cidade de Myeik, no sul de Mianmar, com destino a Rangum, a capital econômica do país.

"Encontramos peças do avião no mar", a 218 quilômetros de Dawei, declarou Naing Lin Zaw, responsável da Força Aérea birmanesa. "A comunicação foi logo perdida, às 13h35 (4h05 em Brasília)", anunciou anteriormente o general Min Aung Hlaing, comandante das Forças Armadas, em sua página no Facebook.

O general afirmou que 106 soldados e membros de suas famílias estavam a bordo, além de 14 pessoas tripulantes.  "São realizadas operações de busca e resgate com o apoio de aviões e navios militares", acrescentou o chefe das Forças Armadas.

O contato com o avião foi perdido quando sobrevoava a região de Dawei, perto do Mar Andaman. "Esse tipo de voo é organizado duas vezes por mês para as famílias dos militares", explicou uma fonte do aeroporto.

Apesar de ser período de chuvas de monção em Mianmar, as condições climáticas não eram ruins no momento em que o avião desapareceu. "Acreditamos em um problema técnico. O tempo estava bom", acrescentou a fonte.

A manutenção do equipamento militar neste país, um dos mais pobres do Sudeste Asiático, é alvo de dúvidas, apesar do peso político das Forças Armadas.

A aeronave era um Y-8F-200 turboélice de quatro motores, de fabricação chinesa, modelo muito utilizado pela Força Aérea de Mianmar para o transporte de pessoas ou de cargas. Autoridades militares disseram que o avião foi entregue em março de 2016 e tinha apenas 809 horas de voo.

A dissolvida junta militar birmanesa adquiriu aviões da China durante os 50 anos de isolamento, quando o país era alvo de sanções ocidentais. Um ex-funcionário do Ministério da Aviação afirmou que muitos dos aparelhos da frota birmanesa são velhos. "A Força Aérea birmanesa tem péssimos antecedentes em termos de segurança aérea", ressaltou, pedindo anonimato.

Em junho de 2016, um helicóptero militar Mi-2 caiu, causando três mortes, na província central de Bago. O mau tempo foi a causa do acidente. Em fevereiro do mesmo ano, cinco soldados morreram quando o avião militar em que viajavam pegou fogo logo após a decolagem perto de Naypyidaw, capital administrativa.

Desde a abertura do país, após a dissolução da junta militar em 2011, o aumento dos voos nacionais pressionou a já deteriorada estrutura de transporte aéreo. Os voos comerciais também registram acidentes com frequência. O pior nos últimos anos ocorreu em 2012, quando um avião da Air Bagan caiu ao pousar no aeroporto de Heho; um passageiro e um motociclista morreram. / AFP e AP

Tudo o que sabemos sobre:
aviãoMianmaravião

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.