Yevgeny Reutov/EPA/EFE
Yevgeny Reutov/EPA/EFE

Rússia investiga queda de avião militar a caminho da Síria

Na aeronave, viajavam militares, jornalistas e integrantes do coro do Exército Vermelho; as 92 pessoas a bordo morreram

O Estado de S. Paulo

25 Dezembro 2016 | 06h32
Atualizado 25 Dezembro 2016 | 20h29

MOSCOU - Um avião militar Tupolev-154 com 92 pessoas a bordo caiu neste domingo, 25, nas águas do Mar Negro momentos após a decolagem, quando seguia para a Síria. Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, não houve sobreviventes. As autoridades russas não descartaram nenhuma possível causa. A imprensa local apontou uma falha técnica como principal hipótese. 

Em nota, além de manifestar suas condolências, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou a seu premiê, Dmitri Medvedev, que lidere a investigação do acidente. Putin anunciou um dia de luto nacional para esta segunda-feira. “Será feita uma investigação minuciosa para determinar as causas da catástrofe e faremos o necessário para apoiar as famílias das vítimas”, disse.

Uma comissão dirigida pelo ministro de Transportes, Maxime Sokolov, foi criada com essa finalidade. O Fundo de Seguro Social russo pagará compensações de US$ 16.340 à família das vítimas, informou a agência Tass. Até a noite deste domingo, 11 corpos foram resgatados e alguns destroços do avião recuperados. 

“Todas as causas possíveis (do acidente) são examinadas”, anunciou Sokolov, que chegou a Sochi ao entardecer, julgando “prematuro” falar de uma pista concreta, em particular a de um atentado terrorista, enquanto outras fontes informaram à imprensa que houve uma falha técnica ou um erro do piloto.

A aeronave decolou às 5h20 (0h20 em Brasília) do aeroporto de Sochi, balneário às margens do Mar Negro, e 20 minutos depois desapareceu dos radares. 

A bordo do aparelho, viajavam militares, um grupo de jornalistas russos e ao menos 60 integrantes do coro do Exército Vermelho, que iam participar das festividades de ano-novo na base aérea síria de Khmeimim, onde Moscou mantém um contingente. A Rússia conduz desde setembro de 2015 uma campanha militar na Síria em apoio ao regime do presidente sírio, Bashar Assad, aliado de longa data. A presidente da fundação Ajuda Justa, a médica Elizaveta Glinka, que acompanhava uma carga de ajuda a um hospital sírio, também estava no voo. 

O TU-154 vinha de Moscou e tinha feito escala em Sochi para reabastecer. Uma fonte dos serviços de emergência disse às agências de notícias que os destroços do avião ficaram espalhados em uma extensa área situada a dez quilômetros do litoral.

Konashenkov informou que 32 barcos, 5 helicópteros, 1 avião e 3.200 pessoas participam das tarefas de resgate, que incluem a procura das caixas-pretas. A aeronave voava havia 33 anos. Passou por uma reforma completa em dezembro de 2014 e foi revisada quatro meses atrás. 

Segundo o Ministério da Defesa, o avião tinha 6.689 horas de voo desde 1983. Investigadores estão interrogando os técnicos que prepararam a aeronave para decolar. Vários TU-154, uma aeronave de concepção soviética, sofreram acidentes no passado. Em abril de 2010, um avião deste tipo com 96 pessoas, incluindo o então presidente polonês, Lech Kaczynski, caiu ao tentar pousar em Smolensk (oeste da Rússia) e todos os ocupantes morreram. / NYT, EFE, AFP e REUTERS

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