Favas Jalla/AFP
Favas Jalla/AFP

Avião se parte em dois ao aterrissar e mata 17 na Índia 

Boeing 737-800 da Air India Express saiu da pista durante pouso e caiu de barranco de 10 metros; 123 passageiros sobreviveram

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2020 | 12h59
Atualizado 07 de agosto de 2020 | 19h21

NOVA DÉLHI - Pelo menos 17 pessoas morreram e 122 ficaram feridas, 15 gravemente, nesta sexta-feira, 7, quando um avião se partiu em dois depois de derrapar e cair em um barranco de 10 metros ao tentar aterrissar sob chuva torrencial na Índia, informou Loknath Behera, diretor da polícia do Estado de Kerala (sul). Entre os mortos estão os dois pilotos do Boeing 737-800 da Air India Express, informou o ministro de Aviação Hardeep Singh Puri.

O avião transportava 174 passageiros, entre eles 10 crianças, 2 pilotos e 5 membros da tripulação de Dubai para o aeroporto da cidade de Kozhikode (também conhecida como Calicut), em Kerala. O voo IX1344 era de repatriação e trazia de volta à Índia cidadãos que tinham ficado presos nos Emirados Árabes por causa da pandemia do novo coronavírus.

Imagens da NDTV mostraram o Boeing 737-800, com apenas dois anos de uso, partido ao meio e destroços e objetos pessoais espalhados pelo vale, assim como a desesperada retirada dos passageiros sob chuva intensa e praticamente na escuridão. O cenário era caótico, pessoas gritando, crianças de até 4 anos se agarrando ao pescoço dos socorristas em meio a ferragens retorcidas. Horas depois, o governo local informou que os trabalhos de resgate haviam sido encerrados às 23h10, com a retirada da última passageira.

Um morador local disse que correu para o aeroporto assim que ouviu o “terrível estrondo”. “Crianças pequenas estavam presas sob os assentos e era uma visão perturbadora”, disse ao jornal The New Indian Express. “Quando chegamos, alguns já haviam conseguido sair. Mas a maioria estava muito ferida. Braços e pernas quebrados. Minhas mãos e camisa ficaram cobertos de sangue das pessoas feridas”, acrescentou.

Outro morador disse que quando as ambulâncias chegaram muitos feridos já tinham sido levados em carros para hospitais de Kozhikode e Malappuram.

Uma investigação será conduzida pelo Escritório de Investigação de Acidentes Aéreos (AAIB, em inglês) para determinar as causas da tragédia. Air India Express, uma subsidiária de baixo custo da estatal Air India, informou em um comunicado que “não houve informações sobre incêndio no momento da aterrissagem” do avião.

Um canal de televisão informou que um problema com o trem de aterrissagem do avião teria causado o acidente. O consultor de aviação de Dubai Mark Martin disse à agência Associated Press que era muito cedo para determinar a causa do acidente, mas as fortes chuvas de monções poderiam ser o fator principal. 

“Baixa visibilidade, nuvens baixas e pista molhada são fatores que deveriam estar ocorrendo no momento do acidente”, disse Martin. Ele pediu à Agência de Segurança na Aviação Europeia e a Administração Federal de Aviação dos EUA que ajudem o governo indiano nas investigações.

Amitabh Kant, que chefia a comissão de planejamento do governo, disse que o aeroporto – o terceiro com maior tráfego em Kerala – fica em um morro com barrancos dos dois lados, tornando difícil a aterrissagem. “O acidente aconteceu por causa da forte chuva e da baixa visibilidade. É realmente devastador”, disse à NDTV. 

O site de rastreio de dados de voos Flightradar24 mostrou que o avião Boeing 737 da Air India Express tentou aterrissar duas vezes antes do acidente, que ocorreu às 19h40 locais. Um dos pilotos, o capitão Deepak Sathe, era um ex-piloto da Força Aérea da Índia que costumava voar com caças MiG 21.

As autoridades de Kerala haviam decretado estado de alerta em seis distritos por causa das chuvas torrenciais. Horas antes, um deslizamento de terra no distrito montanhoso de Idukki havia matado 15 pessoas.

Integrantes do governo indiano publicaram nas redes sociais notas de pesar e enviaram condolências pelo acidente. Tanto o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, quanto o chanceler Subrahmanyam Jaishankar enviaram condolências às famílias. Modi afirmou que as autoridades darão toda a ajuda possível aos afetados.

Centenas de milhares de pessoas de Kerala migraram para trabalhar em países do Golfo Pérsico, como os Emirados Árabes. Muitos perderam os empregos por causa da pandemia e o governo indiano organizou voos charter para trazer seus cidadãos para casa.

O pior acidente aéreo na Índia ocorreu em 12 de novembro de 1996 quando um avião da Arábia Saudita colidiu no ar com outro do Casaquistão perto de Charki Dadri, no Estado de Haryana, matando todas as 349 a bordo nas duas aeronaves. /WP, AFP, EFE e REUTERS

 

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