Avião voou por 4 horas após último contato

Novas informações fazem busca pelo Boeing se deslocar para o Oceano Índico

O Estado de S. Paulo,

14 de março de 2014 | 01h09

SEPANG, MALÁSIA - Enquanto as buscas pelo Boeing 777 da Malaysia Airlines, desaparecido há uma semana, se deslocaram para o Oceano Índico, algumas fontes do governo americano divulgaram na quinta-feira, 13, que o avião continuou funcionando por cerca de quatro horas após a perda de contato com os controladores de voo. Autoridades malaias refutaram a informação.

Uma reportagem do Wall Street Journal afirmou que a Rolls-Royce, fabricante das turbinas, recebeu dados de rotina dos motores depois que o contato com a cabine foi perdido, sugerindo que o avião permaneceu no ar por horas. Segundo fontes do governo americano que participam das investigações, mas não quiseram se identificar, o mesmo ocorreu com o satélite da Boeing, que continuou a receber sinais do avião.

A rede de TV ABC News, com base no relato de duas outras fontes da equipe de investigadores americanos, disse que técnicos dos EUA acreditam agora que o desvio de rota foi deliberado. O sistema de transmissão de dados foi desligado à 1h07 e o transponder, à 1h21. A diferença de 14 minutos indica que não houve falha mecânica. "A equipe (de especialistas) dos EUA está convencida de que houve uma intervenção manual", disse uma das fontes.

O avião da Malaysia Airlines tinha combustível para 7,5 horas de voo e seu último contato com as torres de controle ocorreu uma hora depois da decolagem de Kuala Lumpur, na Malásia, rumo a Pequim, na China - o Boeing teria então ficado cerca de quatro horas no ar, tempo em que os motores teriam permanecido ligados.

"É a mesma situação quando não estamos usando o celular, mas ele continua enviando uma mensagem para a rede", afirmou uma das fontes. "É assim que, algumas vezes, é possível triangular posições e era mais ou menos isso o que o avião estava fazendo."

Como tem sido habitual, as autoridades malaias se mostraram confusas diante das informações e negaram todas as hipóteses. O ministro da Defesa, Hishammuddin Hussein, disse que o principal esforço de busca continua a ser no leste da península, no Golfo da Tailândia e no Mar do Sul da China. O presidente da Malaysia Airlines, Ahmad Jauhari Yahya, disse que os últimos dados técnicos recebidos chegaram à 1h07 de sábado, quando o avião ainda estava em contato com os controladores de voo.

A respeito das imagens registradas por satélites chineses, no domingo, e postadas online na quarta-feira, que pareciam mostrar objetos flutuando no Mar do Sul da China, o governo malaio disse que não eram partes do avião.

Autoridades malaias disseram também que o país havia colocado de lado a segurança nacional e compartilhado leituras de radares militares com EUA e China para ajudar a determinar se elas mostram o jato desaparecido.

Os dados parecem mostrar um avião não identificado voando para oeste, através da península malaia e em direção ao Estreito de Malaca e ao Mar de Andaman, com a última leitura o situando a 320 quilômetros a noroeste da Ilha de Penang, voando a 29.500 pés (cerca de 8.850 metros) de altitude.

Os militares não fizeram nenhuma investigação imediata, no sábado, para analisar os bips não identificados, cuja trajetória parecia captar o avião perto de Penang, e só mais tarde perceberam o significado das leituras.

O general Rodzali Daud, comandante da Força Aérea malaia, disse que os militares ainda não tinham certeza se o avião detectado em seu radar era o desaparecido. / NYT, AP e REUTERS

Tudo o que sabemos sobre:
Malaysia AirlinesMH370

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.