Aviões dão lugar a nuvem monumental nos céus da Europa

Não há mais aviões no céu da Europa do Norte. Em seu lugar, há uma nuvem, uma nuvem monumental que se levantou sobre a Islândia, pequena ilha nevada sobre o círculo polar. Ali, na manhã de quarta-feira, o vulcão Eyjafjallajokull, a 120 quilômetros da capital, Reykjavik, entrou em erupção.

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2010 | 00h00

Esse vulcão tem 1.600 metros de altura e expeliu cinzas a até 11 quilômetros de altitude. A enormidade desse penacho e sua riqueza de elementos químicos são explicadas por sua posição. O vulcão situa-se sob uma imensa geleira. A erupção provocou uma colisão entre o magma ardente que brotava do centro da terra e a capa de gelo. O gelo derreteu, transformando-se em torrentes de lama que escorreram em direção ao mar. O magma, em contato com o gelo, pulverizou-se em cinzas extremamente leves, com partículas de um mícron a um milímetro de diâmetro.

Essas nuvens estão carregadas de substâncias tóxicas, repletas de gotículas de ácido sulfúrico que acabam com os pastos e rebanhos. Se a erupção continuar, a enorme quantidade dessas nanopoeiras poderá ter efeitos devastadores para as vias respiratórias do homem, pois são cortantes e irritantes.

O vulcão Eyjafjallajokull ("montanha da ilha glacial", em uma tradução livre) não é o mais potente da Islândia. Aliás, essa ilha é o "paraíso dos vulcões": são 250 em atividade irregular. Eles têm aspecto variado. Os mais belos são aqueles cuja cratera se encheu de água e formou um lago. Vistas de cima, assemelham-se a um colar de pedras preciosas. Gosto muito do Viti, aos pés do monte Krafia, porque é todo azul. O Lago de Ljotipollur consegue ter duas cores, verde e vermelha. Gosto também do Dimmuborgir e do Hveravellir, porque estão repletos de lavas cinzentas, reluzentes como a pele do tubarão.

Estive várias vezes na Islândia para admirar seus vulcões. É um dos países de que mais gosto, ao lado do Brasil e da Suíça.

Grandes erupções vulcânicas podem influir no clima. Em 1991, a erupção do Pinatubo, nas Filipinas, provocou uma queda da temperatura de 0,4º C, uma solução provisória para o aquecimento do planeta.

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