Aviões de EUA e China colidem

Um avião de reconhecimento do tipo EP-3, da Marinha dos Estados Unidos, foi interceptado na manhã deste domingo por dois caças de combate chineses, tocado por um deles e forçado a realizar uma aterrissagem de emergência na ilha chinesa de Hainan. Segundo as autoridades chinesas, os 24 tripulantes do avião norte-americano estavam sãos e salvos, enquanto um caça chinês tinha caído e o piloto estava desaparecido. Numa indicação de que o incidente pode causar mais polêmica nas relações entre os dois países, Washington e Pequim apresentaram versões diferentes sobre as circunstâncias em que ele ocorreu. Segundo o porta-voz do comando norte-americano do Pacífico, instalado no Havaí, tenente-coronel Dewey Ford, o EP-3 voava em espaço aéreo internacional, "50 milhas náuticas (cerca de 100 quilômetros) ao sudeste da Ilha de Hainan", quando foi tocado por um dos caças F-8 chineses que se aproximaram dele. Em compensação, outro porta-voz do comando no Pacífico, John Bratton, disse que a colisão tinha as características de um acidente e que os chineses não forçaram uma queda da aeronave norte-americana. O comodoro Rex Totty disse ter conversado com a tripulação após o pouso de emergência. Pela versão de Pequim, porém, o avião norte-americano - equipado com sofisticados radares e instrumentos eletrônicos de observação - aproximou-se do espaço aéreo chinês e, quando os caças da Força Aérea da China aproximaram-se, o piloto lançou subitamente o EP-3 sobre um deles, "antes de fazer a intrusão e pousar sem autorização em território chinês". As autoridades militares norte-americanas disseram que o EP-3 sofreu danos em sua parte inferior e ficou sem um dos quatro motores que o impulsionam. Mas alegaram não terem como confirmar a queda de um dos F-8 chineses. A Força Aérea chinesa também não deu detalhes sobre o local da queda do caça. "Estamos fazendo tudo o que é possível pelas vias diplomáticas e trabalhamos com diplomatas chineses para permitir que o avião e sua tripulação possam retornar aos Estados Unidos o quanto antes", declarou o porta-voz do Pentágono, tenente-coronel David Lapan. O embaixador dos EUA em Pequim, Joseph Prueher, anunciou ter enviado a Hainan - ao sul de Hong Kong - uma equipe de diplomatas para avaliar a situação. Prueher informou também que está em constante contato com o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell. O Departamento de Estado enviou uma mensagem ao governo chinês no qual dizia esperar que o avião não tivesse "sua integridade violada e fossem respeitados o bem-estar e a segurança dos tripulantes, permitindo a eles a rápida recuperação do equipamento e o pronto retorno à sua base". Em Washington, um porta-voz do Departamento de Defesa advertiu a China para "não seqüestrar nem ocupar o avião, que é propriedade soberana dos Estados Unidos". Segundo as fontes norte-americanas, o avião realizava um "vôo de reconhecimento de rotina" sobre o Mar do Sul da China. O incidente ocorre quase um ano depois de um caça chinês ter-se aproximado de outro avião-espião norte-americano, num episódio que o Pentágono acabou por minimizar por não ser "particularmente incomum". As relações entre Estados Unidos e China passam por um momento de tensão desde a posse do presidente George W. Bush, em janeiro. Nos próximos dias, Bush deve pronunciar-se sobre a venda de armamento de alta tecnologia para Taiwan, que Pequim considera uma província rebelde.

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