Avó queniana mantém confiança em candidatura de Obama nos EUA

A avó queniana do senadornorte-americano Barack Obama disse que seu neto é "cheio desurpresas" e que se recuperará da derrota sofrida nas préviasde New Hampshire a fim de se tornar o primeiro presidente negrodos Estados Unidos. No vilarejo de Kogelo, no oeste do Quênia, local de origemde parte da família de Obama, Sara Hussein, 85, manifestou naquarta-feira o sentimento dominante entre os moradores da área,que procuram saber mais sobre as eleições norte-americanasenquanto enfrentam, eles próprios, uma onda de violência devidoao pleito presidencial realizado há pouco tempo no país. "Sei que meu filho será o número um porque ele é muitointeligente", afirmou a avó de Obama à Reuters no quintalsimples de sua propriedade. "Ele tem vários segredos e é cheio de surpresas. Tenhocerteza de que ele vencerá a disputa e de que se tornarápresidente", afirmou. Said Obama, tio do pré-candidato democrata, disse que afamília reza para que ele consiga retomar a campanha após aderrota, na terça-feira, para Hillary Clinton em New Hampshire,onde chegou como favorito, segundo as pesquisas. Nascido no Havaí de mãe norte-americana branca e de paiqueniano, Obama é reverenciado por muitos quenianos da mesmaforma como os irlandeses idolatravam o presidentenorte-americano John F. Kennedy na década de 1960 -- como umdos seus que conseguiu vencer para além de seus sonhos maisambiciosos. Obama, que trabalhou como advogado na defesa dos direitoscivis e como professor de direito, afirmou estar "profundamentepreocupado" com a onda de violência que matou 500 pessoas noQuênia desde as eleições presidenciais de 27 de dezembro. O senador visitou Kogelo, onde há uma Escola PrimáriaSenador Obama, em 2006 e foi recebido com muita festa pormilhares de simpatizantes. A família queniana do senador pertence à tribo luo, mesmado líder oposicionista Raila Odinga. Ele acusa o presidentequeniano, Mwai Kibaki, de fraudar o pleito por meio do qualreelegeu-se e cujo resultado detonou os conflitos violentosentre etnias rivais, em especial entre os luo e os kikuyu, deKibaki. No entanto, o apoio a Obama, cujo nome significa"abençoado" em suaíli, supera as desavenças tribais. "Espero ver Obama se transformar no primeiro presidentenegro da América", afirmou Dan Chemotei à Reuters, na regiãocentral de Nairóbi, onde trabalha como segurança. "Se conseguirmos colocar um dos nossos na liderança do paísmais poderoso do mundo, estão conseguiremos muita atenção eajuda da comunidade internacional. Obama, com certeza,enfrentará a atual crise política existente no Quênia porque éum dos nossos", afirmou. Charles Odhiambo, que dirige uma bicicleta-táxi em Kogelo,disse que a vitória de Obama significaria a pavimentação deruas e estradas, água e hospitais para o Quênia. "Se ele se tornar presidente, vamos receber tudo isso. Elevai comprar uma moto nova para mim", afirmou com um sorriso norosto Odhiambo, 30, pai de três filhos. (Com reportagem de Guled Mohamed em Nairóbi)

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