Avós da Praça de Maio revelam identidade de bebê sequestrado

Ricardo Paiva, o 'neto número 106', foi levado dos pais com um mês de idade, em 1978, por coronel do Exército

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2012 | 03h04

Mais um argentino descobriu estar entre as centenas de bebês sequestrados pela ditadura, que governou a Argentina de 1976 a 1983. "Depois de 34 anos, Javier Gaona Miranda foi liberado da mentira", celebrou ontem a líder das Mães da Praça de Maio, Estela de Carlotto, revelando a identidade do "neto número 106".

Nascido em 13 de abril de 1978, Miranda foi sequestrado quando tinha apenas 1 mês. Seus pais, o paraguaio Ricardo Gaona Paiva e Maria Rosa Miranda, da cidade argentina de Córdoba, foram assassinados pouco depois do parto.

Há pouco mais de um mês, Miranda recuperou sua verdadeira identidade e reencontrou a família biológica. "A verdade é a única forma de colocar um fim ao tormento de não saber de onde a gente veio", disse Estela.

Segundo a líder das Avós da Praça de Maio, Miranda foi sequestrado por um coronel da reserva. O militar entregou o bebê a um primo que desejava ter um filho e virou padrinho da criança. A família contava ao garoto que ele fora adotado legalmente.

Em 2001, aos 23 anos, Miranda começou a suspeitar que poderia ser filho de desaparecidos. Numa conversa com a mãe adotiva, ele soube da verdade, mas levou mais de uma década para descobrir sua identidade. "Há um mês, ele teve coragem de conhecer quem realmente é e encontrar uma avó que sempre o esperou", disse Estela.

Segundo as Avós da Praça de Maio, que há décadas procura por bebês sequestrados, 500 menores foram levados pelos militares. O grupo estima que ainda restam 400 "crianças" - atualmente adultos - sem saber sua identidade.

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