Avós de maio acham 109º neto

Militares são acusados de sequestrar 500 bebês

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2013 | 02h05

As Avós da Praça de Maio anunciaram ontem a restituição da identidade de Pablo Germán Athanasiú Laschan, o 109.º "neto". Este é o termo usado pela organização argentina de direitos humanos para se referir aos bebês desaparecidos durante a ditadura militar (1976-1983).

Pablo foi sequestrado no dia 5 de abril de 1976, quando tinha 6 meses. Seus pais, Frida Laschan Mellado e Miguel Ángel Athanasiú Jara, eram chilenos militantes do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR, na sigla em espanhol) que haviam fugido do regime do ditador Augusto Pinochet em 1973, pouco após o golpe que instituiu o general no poder.

Exilados na Argentina, ambos foram torturados e mortos no campo clandestino de detenção Automotores Orletti, o centro das operações do Plano Condor em Buenos Aires. O bebê, que nasceu na capital argentina em 29 de outubro de 1975, foi registrado por um casal de amigos do oficial do Exército que o sequestrou. O militar - cujo nome não foi divulgado - está sendo julgado por crimes contra a humanidade.

Em abril, as "avós" que seguiam a pista de Pablo entraram em contato com ele e lhe explicaram que existiam indícios de que poderia ser filho de desaparecidos. O homem de 38 anos concordou em fazer análises genéticas que comprovaram sua identidade.

As Avós da Praça de Maio estimam que durante a ditadura cerca de 500 bebês foram roubados. O paradeiro de quase 400 vítimas, hoje adultos na faixa dos 33 aos 38 anos, continua desconhecido. "Estamos completando 35 anos de buscas. Muitas das avós foram embora dessa vida sem poder abraçar seu neto ou neta. Nossa luta continua sendo tão dolorosa e desesperada como no início, embora agora tenhamos o agravante de que o tempo está acabando para nós", afirmou a líder da entidade, Estela de Carlotto, que ainda busca seu neto, Guido, nascido em uma maternidade clandestina.

A ditadura argentina diferenciou-se de outros regimes totalitários da América Latina no século 20 pelo sequestro sistemático de bebês, filhos das prisioneiras do governo. As mães eram mortas horas ou dias após o parto.

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