AP
AP

Azerbaijão anuncia cessar-fogo na Armênia

Apesar de promessa, armênios dizem que combates em Nagorno-Karabakh continuam

O Estado de S. Paulo

03 Abril 2016 | 18h50

MOSCOU - O Azerbaijão anunciou neste domingo, 3, que suspendeu os combates na repentina e sangrenta retomada do confronto com a Armênia pela posse do enclave de Nagorno-Karabakh, que vem sendo há muito disputado. O governo azeri advertiu, no entanto, que a luta pode continuar, acrescentando que manterá a faixa de território ocupada por suas forças.

O Ministério da Defesa do Azerbaijão afirmou num comunicado postado em seu site que o país, atendendo aos apelos de um cessar-fogo de várias organizações internacionais, “decidiu cessar unilateralmente as ações militares de retaliação”, mas que prosseguirá a luta se a Armênia não parar.

O comunicado disse também que o Azerbaijão “fortalecerá a defesa dos territórios libertados”. Se o Azerbaijão consolidar o controle sobre a região montanhosa estratégica ocupada nos combates de sábado 2, ao redor de várias aldeias em Nagorno-Karabakh, será a primeira mudança na linha estabelecida pelo armistício firmado há 22 anos.

Os pesados combates que se iniciaram no sábado foram os mais graves desde o acordo de paz provisório e deixaram cerca de 30 mortos. Nagorno-Karabakh fica no Azerbaijão, mas vem controlando seus próprios negócios com um significativo apoio militar e financeiro da Armênia desde que a guerra separatista acabou, em 1994.

Nem a Armênia nem o enclave separatista deverão considerar aceitável qualquer mudança na linha do armistício e ambos acusam o Azerbaijão de prosseguir com a luta no sul do Cáucaso apesar da declaração do cessar-fogo. A situação ao longo da divisa “continua tensa”, segundo afirmou neste domingo o porta-voz do Ministério da Defesa da Armênia, Artsrun Hovhannisyan. “O comunicado do lado azeri é uma armadilha e não representa um cessar-fogo unilateral.”

O porta-voz do presidente da República separatista de Nagorno-Karabakh, David K. Babayan, afirmou no Twitter que o Azerbaijão diz uma coisa e faz outra. “As forças azeri continuam bombardeando, na tentativa de penetrar no território de Nagorno-Karabakh”. O território tem 150 mil habitantes.

Histórico. As divisões étnicas há muito alimentam o enfrentamento da Armênia predominantemente cristã com o Azerbaijão, na maior parte muçulmano. A guerra eclodiu após o colapso da União Soviética, em 1991. A disputa continuou latente após o cessar-fogo, em 1994, com hostilidades ocasionais. Cada lado acusa o outro de ter recomeçado o confronto, desta vez com o emprego de armamento pesado.

O Kremlin, ex-governante colonialista da região, apresentou-se como mediador entre as duas partes, embora venda armas para ambas. A Rússia mantém uma pequena base na Armênia. No sábado, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu um cessar-fogo.

Analistas demonstraram dificuldade para compreender o que causou a atual erupção e determinar se ela indica o começo de uma nova e violenta fase da guerra. O conflito étnico que começou no final do período soviético provocou a morte de 20 mil pessoas e se encerrou com o armistício, mas sem um acordo definitivo.

Alguns especialistas descreveram os recentes combates como uma explosão natural das tensões que se avolumam ao longo da linha do cessar-fogo, mas nesse caso a escalada foi significativa, principalmente porque ambos os lados estavam usando armamentos muito mais sofisticados.

Em vez de simples fogo de morteiros, por exemplo, foi relatado que os países estão utilizando armas pesadas pela primeira vez desde 1994 – e os adversários disparam os mesmos foguetes Grad, causadores de danos muito maiores e imprevisíveis. / NYT

Mais conteúdo sobre:
Azerbaijão Armênia cessar-fogo Rússia

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.