Vahram Baghdasaryan, PHOTOLURE via AP
Vahram Baghdasaryan, PHOTOLURE via AP

Azerbaijão e separatistas de Nagorno-Karabakh anunciam cessar-fogo

O anúncio, confirmado pelas duas partes, acontece antes de uma reunião internacional em Viena para tentar acabar com o antigo conflito

O Estado de S. Paulo

05 Abril 2016 | 18h52

BAKU - O Azerbaijão e as autoridades separatistas de Nagorno-Karabakh anunciaram nesta terça-feira, 5, que chegaram a um acordo de cessar-fogo, após quatro dias de confrontos violentos que deixaram 64 mortos nesta zona estratégica do Cáucaso. O anúncio, confirmado pelas duas partes, acontece antes de uma reunião internacional em Viena para tentar acabar com o antigo conflito.

"As operações militares foram detidas nesta terça-feira às 12h (5h de Brasília)", anunciou o ministério azeri da Defesa em um comunicado divulgado pouco depois de um anúncio similar por parte das autoridades de Nagorno-Karabakh.

Os bombardeios cessaram na localidade azeri de Terter, próxima da linha de frente, onde durante a noite de segunda-feira foram registrados disparos de artilharia. Ao menos 64 pessoas morreram desde a retomada dos combates na sexta-feira entre armênios e azeris, que disputam o território.

Na segunda-feira à noite, os combates prosseguiram e foram os mais intensos dos últimos 20 anos, apesar dos apelos da Rússia e dos países ocidentais aos dois lados.

O conflito, que teve origem há vários séculos, ganhou força no período soviético, quando Moscou atribuiu o território de maioria armênia à República do Azerbaijão. Anos depois, os separatistas armênios assumiram o controle da região, após uma guerra (1988-1994) que deixou 30 mil mortos e centenas de milhares de refugiados, principalmente azeris.

A área do conflito é uma região do Cáucaso estratégica para o transporte de combustíveis, próxima do Irã e da Turquia. O Ministério da Defesa do Azerbaijão anunciou a morte de 16 soldados em 48 horas, o que elevou a 64 o total de mortes dos dois lados em quatro dias, segundo um balanço da agência France-Presse

Nesta terça-feira, estava prevista em Viena uma reunião do grupo de Minsk para abordar a questão dentro do marco da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE). O encontro tem o apoio da França, Estados Unidos e Rússia.

A crise foi o tema principal de uma conversa por telefone na segunda-feira entre o chanceler russo, Serguei Lavrov, e o secretário de Estado americano, John Kerrry, que examinaram a situação. Os delegados do grupo devem viajar nos próximos dias a Erivan, Baku e Nagorno-Karabakh.

O conflito acontece no momento em que a Rússia, que tem boas relações com a Armênia, e a Turquia, tradicional aliada do Azerbaijão, passam por uma grave crise diplomática em razão da guerra na Síria.

A Turquia, que não tem relações diplomáticas com a Armênia por divergências pelo genocídio de armênios durante o Império Otomano durante a 1ª Guerra, expressou apoio ao Azerbaijão. 

O Azerbaijão, rico em petróleo e cujo orçamento de Defesa em alguns anos supera o orçamento total da Armênia, ameaça com frequência retomar à força a região separatista. / AFP 

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