Aznar defende posição pró-guerra; espanhóis pedem paz

Cerca de cinco milhões de trabalhadores em toda a Espanha participaram hoje de um protesto de 15 minutos contra a guerra enquanto o primeiro-ministro José Maria Aznar mantinha-se firme em seu apoio aos planos dos Estados Unidos de atacar o Iraque. "Não agir para livrar o mundo de armas de destruição em massa não é nem política nem moralmente aceitável", defendeu Aznar num encontro com membros de seu Partido Popular, reiterando acusações de que o Iraque não tem cumprido exigências de desarmamento desde 1991."Deveríamos todos olhar para o outro lado?" questionou retoricamente. "Sempre é mais confortável não fazer nada". Aznar não fez menção à cúpula de emergência que realizará com o presidente americano, George W. Bush, e o premier britânico, Tony Blair, amanhã no arquipélago português de Açores.Mas a agência espanhola EFE, citando fontes governamentais, divulgou que os três líderes irão discutir formas de angariar apoio internacional e não planos para atacar o Iraque. O primeiro-ministro português, José Durão Barroso, também participará da cúpula. Aznar e Blair são os mais ardorosos defensores da dura posição americana em relação ao Iraque.Hoje, o Ministério do Exterior reiterou que os espanhóis não devem viajar ao Iraque e aqueles que estejam no país devem partir devido à "rápida deterioração da situação internacional". Entretanto, os partidos de oposição espanhóis têm se oposto em bloco à guerra e pesquisas de opinião mostram que mais de 80% da população concorda com eles.ProtestoA reunião do partido de Aznar no centro de Madri ocorreu pouco depois que cerca de 5 milhões de espanhóis em todo o país promoveram uma paralisação de 15 minutos em seus trabalhos para protestar contra os planos de guerra, segundo estimativas de sindicatos.Políticos de oposição uniram-se aos trabalhadores de repartições públicas e de empresas privadas num protesto convocado pela Confederação Européia de Sindicatos.O líder do Partido Socialista, José Luis Rodriguez Zapatero, disse aos manifestantes que Aznar deveria dizer a Bush na cúpula que "se ele (Bush) não conseguir o apoio da ONU para um ataque militar, então ele não deveria atacar... Isto é o que a maioria das pessoas quer".Partidos políticos e sindicatos convocaram para amanhã grandes manifestações antiguerra na Espanha, que coincidirão com protestos a serem realizados em todo o mundo.

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