B-52 chega aos 50 em plena forma

Na semana entre 24 e 31 de dezembro os bombardeiros pesados B-52H dos Estados Unidos realizaram 118 missões de ataque contra focos de resistência das forças do Taleban e abrigos dos terroristas do Al-Qaeda. Durante aqueles sete dias, a cada 40 minutos pelo menos um desses grandes aviões negros deixou seu rastro de névoa branca no céu azul sem nuvens acima das montanhas em Kandahar. A bordo, um sortimento de 30 toneladas de bombas comuns, armas inteligentes e mísseis de precisão. Na terça-feira, ao fazer um balanço das missões no Afeganistão, o comandante da operação Liberdade Duradoura, general Tommy Franks, destacou o B-52H como "o sistema de armas fundamental" da primeira batalha da guerra contra o terror internacional. Não é pouco para uma máquina de guerra que completará meio século de uso contínuo no dia 15 de abril com planos para ser mantida na ativa até o ano 2040. Símbolo da guerra fria, projetado para lançar bombas de hidrogênio contra alvos na União Soviética, o B-52 fez seu primeiro vôo em 1952. A versão H atualmente em uso é o oitavo arranjo básico do equipamento. O mais novo dos 94 jatos desse tipo mantidos na aviação norte-americana saiu das linhas de montagem da Boeing Company em 1962. Nessa época quase toda a avançada tecnologia das armas que transporta não existia nem em teoria. "O B-52 é um caso típico de projeto perfeito: ele é ótimo de pilotar, muito seguro, robusto, de fácil manutenção e está sempre disponível para entrar em ação", considera o engenheiro aeronáutico James Salem. Ex-diretor da divisão militar da Northrop Corporation, fabricante do bombardeiro B-2 Spirit - o mais caro avião da história, a um custo de US$ 2 bilhões por unidade -, Salem destaca outro atrativo para os investimentos permanentes no aperfeiçoamento do grande avião de 8 motores: "Ele custou muito pouco, não mais de US$ 10 milhões em dólares de 1962, algo como US$ 25 milhões em 2001." O Pentágono gastou US$ 5 bilhões desde 1980 com o desenvolvimento da frota de bombardeiros gigantes. Isso significa que de quatro em quatro anos o avião é desmontado e virtualmente reconstruído. Uma linha industrial especial operada pela Boeing e pela força aérea dos EUA na base Tinker, em Oklahoma, troca todas as partes móveis, remove vestígios de oxidação e sobretudo incorpora ao centro de combate, à unidade de navegação e ao painel de comando os mais avançados recursos tecnológicos. Em 120 dias o B-52H volta ao trabalho novo como no dia em que saiu da fábrica, há no mínimo 40 anos. O programa de modernização permite que a Usaf disponha a qualquer tempo de 44 bombardeiros em regime de prontidão. Subsônico (1040 km/h de velocidade máxima) e com tripulação de 5 oficiais, o B-52H realizou 40% de todos os ataques contra o Iraque, na Guerra do Golfo; lançou as primeiras bombas sobre Belgrado, em 1999; e no dia 7 de outubro estava na primeira onda de fogo contra o Afeganistão. Na festa dos 50 anos, em abril, o Pentágono anunciará a revitalização até 2040. Leia o especial

Agencia Estado,

09 Janeiro 2002 | 20h58

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