Bacai Sanhá é eleito novo presidente de Guiné-Bissau

Malam Bacai Sanhá é o novo presidente da Guiné-Bissau, informaram hoje funcionários eleitorais do país. A eleição vencida por ele foi um raro processo político pacífico na pequena nação, uma ex-colônia portuguesa na África ocidental sacudida por vários golpes de estado e uma guerra civil. Sanhá obteve 63,39% dos votos válidos no segundo turno, vencendo seu oponente Kumba Yala, que obteve 36,69% dos sufrágios, anunciou a Comissão Nacional de Eleições (CNE). Sanhá sucederá o presidente interino Raimundo Pereira, que passou a ocupar o cargo em março, após o assassinato do presidente João Bernardo "Nino" Vieira. O chefe da CNE, Desejado Lima da Costa, disse que as eleições foram justas e sem incidentes, com a participação de 61% dos 594 mil eleitores registrados do país.

AE-AP, Agencia Estado

29 de julho de 2009 | 16h57

Sanhá disse hoje que sua vitória significará dias melhores para o pequeno país, cujo único produto de exportação em escala comercial é a castanha de caju. "Essa não é a minha vitória. É a vitória do povo da Guiné-Bissau, que abraçou o progresso, a paz e o desenvolvimento", disse o presidente eleito. Seu oponente aceitou a derrota. "Eu aceito essa decisão. Ela foi democrática e na democracia você pode vencer e pode perder", disse Yala. Sanhá foi presidente interino por um ano durante a guerra civil de 1998-1999, enquanto Yala presidiu o país durante três anos até 2003, quando foi derrubado por um golpe militar.

Em seus 35 anos como nação independente, a Guiné-Bissau, com 1,5 milhão de habitantes, sofreu vários golpes de estado e a guerra civil. Isso tudo cobrou seu preço ao país africano, que é o terceiro com mais baixo índice de desenvolvimento humano no mundo, segundo relatório de 2008 das Nações Unidas. Grande parte da população vive sem eletricidade e água corrente limpa e a expectativa média de vida é de 46 anos. Ninguém foi preso pela morte de Vieira. Ele foi assassinado por soldados algumas horas após um ataque ter matado seu rival, que chefiava as forças armadas.

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