Bachelet afasta chefe de polícia após repressão contra estudantes

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, criticou a atuação da polícia na repressão do protesto de estudantes na terça-feira. Ela qualificou de "repudiáveis e injustificáveis" as agressões cometidas e afastou o chefe das forças especiais dos Carabineros (tropa de choque), Osvaldo Jara. Mais de 700 pessoas foram detidas e 28 ficaram feridas nos protestos, que mobilizaram cerca de 800.000 estudantes, entre grevistas e manifestantes.A presidente, que havia mantido um certo distanciamento do conflito, manifestou hoje sua esperança de que a crise seja dissipada no decorrer das negociações, que foram retomadas ontem. Para Bachelet, as exigências dos estudantes são "plenamente legítimas e justificadas".Os líderes estudantis exigem a gratuidade no passe para o transporte escolar e o fim do vestibular, assim como reformas na jornada escolar e numa lei que rege o ensino. Tal legislação foi promulgada um dia antes de o ex-ditador Augusto Pinochet deixar o poder, em 1990. Os governos democráticos que o sucederam tentaram modificá-la, mas até agora não conseguiram quórum suficiente no Parlamento.A mobilização estudantil, que conta com a simpatia e o apoio de diversos setores, inclusive do próprio governo, transformou-se no maior desafio para Bachelet em seus 80 dias de gestão.ProtestosNo segundo dia de protestos estudantis na capital chilena, a polícia teve que usar canhões de água para dissipar as demonstrações lideradas por estudantes secundaristas. Os protestos se tornaram violentos depois que manifestantes mascarados começaram a atirar pedras contra os policiais e carros que passavam pelo centro da cidade.Tanto a polícia quanto os estudantes atribuíram a violência aos indivíduos mascarados, a quem chamaram de agitadores. Após a transmissão de imagens da violenta reação policial pela TV chilena e da demissão do comandante da tropa de choque por Bachelet, as forças de segurança passaram a atuar de maneira mais contida.A violência começou nesta terça-feira, depois que milhares de estudantes do sistema público saíram às ruas para exigir a reformulação da legislação educacional do país.Os estudantes exigem que o governo central retome a responsabilidade sobre a educação, municipalizada durante a era Pinochet. Segundo as lideranças do movimento, esta é "a única maneira de sanar a desigualdade entre as escolas pobres e ricas".Embora tanto o governo quanto os estudantes tenham concordado em não comentar o desenvolvimento das negociações, fontes de ambos os lados afirmaram que progressos foram atingidos.

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