‘Bachelet aprendeu lição da tragédia de 2010’

Reação da presidente ao sismo seguido de tsunami que matou mais de 500 pessoas em 2010 foi duramente criticada

Guilherme Russo, O Estado de S. Paulo

03 de abril de 2014 | 00h04

Derrotada na tentativa de eleger seu sucessor na disputa pela presidência do Chile em 2009, Michelle Bachelet sofreu duras críticas pela reação de seu primeiro governo ao terremoto seguido de tsunami que deixou mais de 500 mortos em 2010 - ocorrido 12 dias antes do fim de sua gestão. Para o cientista político chileno Cristóbal Aninat, diretor da consultoria Congress Watch, a rapidez na assistência às vítimas na terça-feira, 1, demonstra que a presidente e os serviços de emergência "aprenderam" com a catástrofe de 2010. A seguir, a entrevista ao Estado:

Qual a principal diferença entre a reação das autoridades chilenas diante do terremoto de terça-feira, em comparação com o tremor de 2010?

O terremoto de 2010 foi bastante complicado para Bachelet pela reação lenta de seu governo. Foi uma de suas principais fraquezas e, de fato, continua sendo. Mas também houve reação lenta das instituições. Neste terremoto, Bachelet reagiu muito mais rapidamente e as instituições, como o Escritório Nacional de Emergência (do Ministério do Interior), também funcionaram muito melhor.

Pareceu que essa ausência de ambição política imediata, em razão de as eleições estarem perdidas, teve a ver com a reação do governo Bachelet em 2010?

Além de o terremoto ter ocorrido duas semanas antes do fim do governo, era época de férias. Muita gente estava de férias. Foi como quando um time de futebol faz um gol nos últimos minutos e acredita que vai ganhar a partida - e, por não se preocupar tanto, toma um gol porque se descuidou. Em certa medida, isso aconteceu com Bachelet. A Concertação (coalizão de centro-esquerda liderada pela presidente nas eleições de 2009) já tinha perdido, todos estavam voltando para casa e ocorreu o terremoto. Então, a reação foi muito lenta, porque todos (do governo) já estavam preparando suas coisas para ir embora.

Como o governo de Bachelet respondeu às críticas?

Toda a reconstrução foi o governo de (Sebastián) Piñera que fez, não o de Bachelet. Então, Bachelet não teve com que se defender, porque sua reação foi tardia e logo depois começou o novo governo.

Como avaliar a reação "mais rápida" do atual governo de Bachelet ao tremor de terça-feira?

Positivamente. Mas é necessário ressaltar dois pontos. Primeiro, que esse terremoto foi numa região que está muito menos povoada que o anterior; então é muito menos importante e seu efeito é muito menos intenso que o do sismo de 2010. E o outro é que a reação foi muito melhor não só por parte do governo, mas também da institucionalidade, do Escritório Nacional de Emergência, que foi reformado depois do terremoto de 2010. Então, há algo de aprendizagem institucional que se deve destacar. Não só o governo de Bachelet, mas as instituições também aprenderam uma lição importante.

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