Bachelet convoca chilenos a trabalharem por um país justo

A nova presidente do Chile, Michelle Bachelet, em seu primeiro discurso do palácio de La Moneda, convocou neste sábado, 11, os chilenos a trabalharem por um país justo e de bem-estar e reiterou que governará para todos e todas as chilenas. Com ênfase na reconciliação nacional, a inclusão dos setores marginalizados e a luta contra a desigualdade, Bachelet reiterou que procura forjar uma pátria para todos. "Convoco a somar todas as vontades e os esforços por um ideal partilhado como o bem-estar de todos os chilenos e a justiça em toda a Pátria", disse Bachelet de um balcão de La Moneda, a sede presidencial chilena, diante de milhares de pessoas reunidas na Praça da Constituição. Ditadura "Houve tempos em que nós, chilenos, nos dividimos e nos olhamos uns aos outros com receios, suspeitas e reservas. Hoje sopram ventos diferentes, impera o nobre desejo de um futuro melhor, onde cabem todos", afirmou em alusão à ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). "Chegou a hora de nos olharmos cara a cara sem suspeitas. O passado é o passado e não o esqueceremos jamais, pois, como disse o presidente Ricardo Lagos, não há amanhã sem ontem, e não queremos repetir os erros do passado", disse. Suas palavras foram recebidas por uma ovação das milhares de pessoas que estavam na frente do palácio. "Nestes 16 anos de democracia trabalhamos para limar as asperezas de uma sociedade dividida, e é o momento em que todos nos sintamos como nossos", acrescentou. Ele reiterou que seu governo será dos cidadãos, prometeu um diálogo baseado na franqueza, a participação e convocou a um grande pacto entre governo e cidadania. "Direi o que penso e farei o que digo, palavra de mulher", exclamou. Ela expressou seu agradecimento especialmente ao agora ex-presidente Ricardo Lagos, que lhe entregou o comando da nação após seis anos de governo. Homenagem ao pai Em seu discurso, a presidente também rendeu uma homenagem a seu pai, o general Alberto Bachelet, que morreu aos 50 anos, em 1974 na prisão, sob torturas durante o regime militar cuja morte completa 32 anos amanhã. A presidente mencionou várias vezes durante seu discurso o ex-presidente Salvador Allende, e lembrou a histórica frase do governante socialista, que em 11 de setembro de 1973, pouco antes de morrer, declarou por rádio que "chegará o momento em que se abram as grandes alamedas pelas quais caminhe o homem livre". Bachelet retomou a frase e declarou: "A celebrar, para que homens e mulheres tenhamos abertas as grandes alamedas. Viva o Chile!".

Agencia Estado,

11 Março 2006 | 22h44

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