Fabrice Coffrini/AFP
Fabrice Coffrini/AFP

Bachelet denuncia 57 novos casos de execuções e tortura na Venezuela

ONU documentou casos de tortura e maus-tratos físicos e psicológicos de pessoas detidas pelo regime chavista

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2019 | 12h24

GENEBRA  - A Alta-Comissária da ONU para os Direitos Humanos, a chilena Michelle Bachelet, denunciou nesta segunda-feira, 9, novos casos de execuções extrajudiciais, torturas e maus-tratos de presos na Venezuela

Em um discurso na 42ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, Bachelet apresentou um novo relatório muito duro sobre a situação na Venezuela sob o governo do presidente Nicolás Maduro

Na semana passada, a ex-presidente chilena foi alvo de críticas do presidente Jair Bolsonaro por denunciar aumento na violência policial no Rio de Janeiro e o estado da democracia no Brasil. Na ocasião Bolsonaro ofendeu o pai da alta-comissária, Alberto Bachelet, vítima de execução extrajudicial na ditadura de Augusto Pinochet

"Meu escritório continuou documentando casos de possíveis execuções extrajudiciais cometidas por membros das Forças de Ação Especiais da Polícia Nacional - conhecidas como FAES - em algumas comunidades do país", afirmou. 

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"Apenas no mês de julho, a organização não governamental 'Monitor de Vítimas' identificou 57 novos casos de supostas execuções cometidas por membros da FAES em Caracas", disse a ex-presidente chilena.

Bachelet indicou ainda que o Alto-Comissariado documentou casos de tortura e maus-tratos, tanto físicos como psicológicos, de pessoas arbitrariamente privadas de sua liberdade, em particular de militares.

Em contraposição a estas denúncias, Bachelet disse que o governo de Maduro cumpriu a libertação de 83 pessoas, incluindo aquelas cuja detenção havia sido considerada arbitrária.

Relatório inicial já indicava erosão da democracia na Venezuela

Um primeiro relatório foi apresentado em 5 de julho, no qual Bachelet havia denunciado a erosão do Estado de direito na Venezuela, advertindo também que as sanções internacionais agravavam a crise no país.

"A situação dos direitos humanos continua afetando milhões de pessoas na Venezuela e com claros impactos desestabilizadores na região", reiterou nesta segunda-feira. "A economia venezuelana atravessa o que poderia ser o episódio hiperinflacionário mais agudo que a América Latina já experimentou".

Bachelet criticou ainda ações recentes do chavismo com o objetivo de aprovar uma lei que tipifica como crime as atividades das organizações nacionais de direitos humanos que recebem recursos do exterior. 

"Essa lei, se aprovada e aplicada, reduzirá ainda mais o espaço democrático", advertiu a representante da ONU.

Sanções agravam situação humanitária na Venezuela

Ela também insistiu que as sanções do governo do presidente americano Donald Trump contra o governo de Maduro contribuem para agravar a situação humanitária do país.

A Venezuela vive a pior crise em sua história recente, refletida em hiperinflação, a queda em sua crucial produção de petróleo e a fuga de 3,6 milhões de pessoas desde o início de 2016./ AFP

 

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