Bachelet desafia direita a votar projeto de educação

A presidente chilena Michelle Bachelet desafiou, nesta terça-feira, a oposição votar em um projeto para elevar a qualidade do ensino no país, lembrando que em 2005 uma proposta similar foi rejeitada porque "não tivemos os votos da direita". Ao mesmo tempo, os líderes dos 600 mil estudantes secundaristas, que com suas exigências estremeceram o país, discutiam se voltavam às aulas.Os líderes estudantis se reuniram hoje para debater se estão de acordo com os benefícios obtidos depois de três semanas de manifestações, ocupações de colégios e paralisações - no maior protesto estudantil já realizado desde o fim da ditadura, em 1990. Os estudantes do ensino médio, que já tiveram várias de suas exigências atendidas por Bachelet, disseram hoje que querem ter o direito de escolher 50% dos membros do conselho de assessoria presidencial sobre educação, que analisará as reformas do sistema educacional.Bachelet cumpriu hoje uma de suas promessas para solucionar a crise e enviou um projeto de reforma da Constituição ao Congresso, para garantir o direito a "uma educação de qualidade para todos"."Com tudo o que vimos e foi dito nestes dias (...) espero seriamente que contemos com o amplo respaldo e apoio no Congresso para que, efetivamente, possamos dar os passos que garantam uma educação de qualidade", disse Bachelet, após um encontro com líderes do comércio na sede do governo.O Conselho analisará profundas reformas em uma lei da época do ex-ditador Augusto Pinochet que entregou aos municípios a responsabilidade pela administração das escolas públicas. Pressionada pelas mobilizações, Bachelet atendeu na quinta-feira parte das exigências dos estudantes. Entre os benefícios oferecidos para conter os protestos estão um orçamento adicional de US$ 58 milhões para este ano e US$ 135 milhões para 2007, uma carteirinha escolar que dá direito a um desconto nos transportes públicos e isenção para 80% dos jovens mais necessitados do pagamento de uma taxa para o vestibular. Os líderes estudantis não alcançaram uma de suas principais demandas, que era o transporte gratuito.OcupaçãoNesta terça-feira, cerca de 30 estudantes ocuparam por duas horas a sede regional da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), na capital chilena. Os secundaristas cobravam um pronunciamento do órgão sobre o conflito. Após se encontrarem com a diretora local da Unesco, Ana Luiza Machado, entregaram-lhe uma carta com suas demandas e se retiraram pacificamente.Na segunda-feira, a greve dos secundaristas mobilizou 1 milhão de pessoas, segundo os organizadores. Cerca de 600 mil alunos do ensino médio, 300 mil universitários aderiram à paralisação, que contou com o apoio de membros de organizações sociais e sindicatos de funcionários públicos. Houve protestos nas ruas em algumas cidades. Segundo o governo, esses protestos deixaram 35 feridos e 439 detidos. É a primeira crise enfrentada pelo governo de Bachelet, no poder há menos de três meses.

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