Bachelet diz que greve foi desnecessária

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, classificou como "desnecessária" a greve nacional convocada pela Assembléia Coordenadora de Estudantes Secundários (Aces) levada a cabo nesta segunda-feira. Cerca de um milhão de estudantes atenderam à convocação, que em alguns pontos isolados da capital chilena resultou em incidentes violentos.Na semana passada, Bachelet anunciou uma série de medidas com o objetivo de atender às demandas dos estudantes, e disse lamentar a greve desta segunda-feira. "Os estudantes fizeram sentir suas demandas por uma educação de maior qualidade, e o fizeram pacificamente, o que eu qualifico como justo e legítimo", discursou a presidente. Bachelet também destacou que o movimento conseguiu o grande apoio da cidadania. "Todos queremos uma educação de maior qualidade, mas a verdade é que uma greve já não se faz necessária", completou, acrescentando que o governo respondeu com "seriedade e responsabilidade" à todas as demandas dos estudantes, assumindo os grandes temas da reforma.A presidente informou ainda que deve enviar um projeto de lei de reforma constitucional que assegure o direito à educação. Além disso, ela afirmou que espera apenas uma posição do Conselho Assessor Presidencial para modificar a Lei Orgânica Constitucional de Ensino (Loce), o principal alvo das reivindicações dos estudantes. O movimentoAs escolas públicas chilenas estão paralisadas há três semanas em decorrência dos protestos estudantis pela reforma do sistema educacional do país. Os estudantes reivindicam incentivos para os estudantes de baixa renda e a intervenção federal para balancear as diferenças regionais nos gastos com educação.Nesta segunda-feira, o movimento contou com a adesão de várias uniões estudantis, inclusive de estudantes universitários.A chamada pedia que os alunos permanecessem em seus colégios para um "dia de reflexão", mas os setores mais radicais do movimento saíram às ruas, queimando pneus e provocando tumulto no centro de Santiago.Para dispersar os arruaceiros, a polícia utilizou jatos d´água e gás lacrimogêneo. Os estudantes responderam atirando pedras.Resposta do governoO ministro das Finanças, Andres Velasco, disse que o governo irá realocar cerca de US$ 58 milhões para a educação no segundo semestre deste ano.Valasco acrescentou que o governo não fará nenhuma outra concessão, e classificou a proposta de Bachelet como "definitiva".Para os estudantes, no entanto, as medidas do governo não foram suficientes. Eles reivindicam a participação na elaboração das reformas educacionais anunciadas pela presidente.Segundo a porta-voz do movimento, Karina Delfino, os manifestantes querem "uma nova e orgânica lei constitucional, um novo projeto educacional" com a qual os estudantes, pais e professores possam colaborar.SaquesDurante as manifestações desta segunda-feira, uma turba de cerca de duas mil pessoas provocou destruição e saques em várias lojas da região central de Santiago, informou o jornal chileno El Mercurio.Uma força especial da polícia foi chamada para sufocar os manifestantes, que em alguns casos entraram em confronto direto com os policiais.Em uma loja de eletrodomésticos, os manifestantes roubaram fornos de microondas, televisores e todos os artigos eletrônicos que foram capazes de carregar.Muitos estabelecimentos tiveram que fechar suas portas.Alguns dos vândalos, por sua vez, entraram em confronto com os estudantes, que pediam para que eles não participassem dos saques.Ainda segundo o jornal chileno, um menor ficou ferido em decorrência da ação.

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