Fabrice Coffrini / AFP
Fabrice Coffrini / AFP

Bachelet diz que uso desproporcional de força pela polícia pode levar Bolívia a ‘sair do controle’

Alta comissária de Direitos Humanos da ONU afirma que país está dividido e pede às autoridades bolivianas que deixem de usar as forças militares em operações de ordem pública

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2019 | 15h23

GENEBRA - A alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, denunciou neste sábado, 16, "o uso desnecessário e desproporcional da força pela polícia e pelo Exército" que pode levar a situação na Bolívia a "sair do controle". 

Bachelet afirmou que 14 pessoas morreram nos seis dias seguintes à renúncia do ex-presidente Evo Morales e lamentou que as mortes parecem ser resultado do "uso desnecessário e desproporcional da força".

"Condeno essas mortes. Trata-se de um desenvolvimento extremamente perigoso, pois longe de apaziguar a violência, é possível que a agrave", acrescentou.

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"Realmente me preocupa que a situação na Bolívia possa sair do controle se as autoridades não administrarem cuidadosamente, de acordo com as normas e padrões internacionais para o uso da força, e com um respeito pleno aos direitos humanos", disse a alta comissária. 

País dividido

Michelle Bachelet afirmou também que "o país está dividido e pessoas dos diversos setores do espectro político se encontram indignadas. Em uma situação como esta, as ações repressivas por parte das autoridades simplesmente avivaram mais essa ira e podem colocar em risco qualquer caminho de diálogo possível". 

A alta comissária pediu dados sobre o número de presos, feridos e mortos durante os protestos e solicitou "investigações rápidas, imparciais, transparentes e completas, para garantir uma prestação de contas total", indica o comunicado.

Além disso, pediu para as autoridades bolivianas deixarem de usar as forças militares em operações de ordem pública, mesmo durante protestos.

Asilado no México, Evo renunciou domingo após perder o apoio das Forças Armadas, na esteira de três semanas de protestos por sua questionada reeleição. / AFP

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