Bachelet encerra sua primeira visita oficial aos EUA

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, reuniu-se nesta sexta-feira com o presidente americanoa, George W. Bush, em sua primeira visita oficial aos Estados Unidos. Os líderes discutiram formas de combater a pobreza e fortalecer a democracia na América Latina.Bachelet também discursou na Organização dos Estados Americanos (OEA), e num banquete oferecido pelo "Projeto da Casa Branca", que reúne mulheres de Washington. Nas duas ocasiões, falou sobre a importância do "desenvolvimento humano integral".A América Latina, segundo Bachelet, procura uma forma de combater a pobreza. Assim, a tendência à esquerda em alguns países da região só reflete a busca de soluções, porque as nações "têm diferentes estratégias de abordar seus problemas".Ela ressaltou que a intenção de seu governo é "ter as melhores relações com os vizinhos" e, se algum país quiser, o Chile está pronto a repartir sua experiência em matéria de "desenvolvimento econômico, estabilidade política, coesão social e, em conseqüência, uma democracia mais sustentável".Os desafios econômicos e sociais na região foram os temas principais de sua conversa com Bush na Casa Branca. Mas Bachelet negou que os EUA tenham pressionado seu país a que se opor à candidatura da Venezuela como membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas."Não houve pressões de nenhum tipo. Apenas conversamos sobre temas de interesse comum", disse, numa breve conversa com os jornalistas.Bachelet considerou o encontro com Bush "grato, franco, aberto". O presidente americano, disse, "tem bom senso de humor".Bush também teve palavras de elogio para Bachelet. Ele ressaltou a importância para os EUA da América Latina e do Caribe, acrescentando que as relações com o Chile "são muito boas".No Conselho Permanente da OEA, Bachelet abordou o problema do "desenvolvimento humano integral", além da necessidade de um plano de segurança para todo o continente.A presidente chilena sugeriu que a OEA aumente sua presença no mundo e contribua nos esforços para regulamentar a globalização, dando a ela um rosto "mais humano, solidário e ao mesmo tempo mais inclusivo".Para participar do processo, observou, os países "devem ser capazes de construir democracias de qualidade, melhores condições de governabilidade e um desenvolvimento humano integral".Bachelet concluiu a visita a Washington com um discurso num banquete oferecido pelo "Projeto da Casa Branca". O público inteiramente feminino incluiu a atriz Geena Davis e a senadora democrata Hillary Clinton.A governante chilena lamentou que em seu país permaneça a discriminação contra as mulheres, apesar aos avanços sociais dos últimos anos. E acrescentou que em seu papel de primeira presidente na história política chilena há "muito a fazer" para superar o problema.Bachelet disse que seu governo pretende acabar com as discriminações contra a mulher nos sistemas de saúde e de previdência, reforçar a legislação chilena contra o assédio sexual e reduzir as diferenças salariais entre homens e mulheres.Estudantes voltam às aulas Enquanto a presidente do Chile faz sua primeira visita oficial aos EUA, os estudantes secundaristas chilenos definiram nesta sexta o fim da greve nacional e os protestos que mantinham há um mês, em reivindicação da melhoria na qualidade de ensino, e anunciaram que voltarão às aulas na próxima semana."Voltamos às aulas", disse Juan Carlos Herrera, um dos porta-vozes da Assembléia Coordenadora de Estudantes Secundários (ACES), ao final de uma reunião realizada em um liceu de Santiago.Os estudantes definiram na reunião se integrar, mas com uma visão crítica, ao Comitê Assessor para Matérias de Educação formado há poucos dias pela presidente chilena, Michelle Bachelet, apesar de a governante não ter atendido à exigência estudantil de ter "50% mais um" dos integrantes dessa instância.Bachelet ofereceu seis vagas aos estudantes, de um total de 66 membros, e a ACES deverá agora designar seus representantes.Herrera disse que os estudantes avaliarão permanentemente o trabalho do Comitê Assessor, e não descartou novas mobilizações se suas demandas não forem atendidas.O porta-voz disse que atuarão no Comitê com posições comuns junto com os estudantes universitários e os professores.O comitê, segundo a presidente chilena, deverá delinear em um prazo de três meses as reformas à Lei Orgânica Constitucional de Ensino, que - segundo os secundaristas e vários analistas - deu lugar à crescente educação desigual para ricos e pobres.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.