Miguel Gutiérrez/EFE
Miguel Gutiérrez/EFE

Bachelet se compromete a pressionar por liberação de presos políticos na Venezuela, afirma Guaidó

Alta comissária da ONU ainda irá se reunir com o presidente Nicolás Maduro, no último dia de sua passagem pelo país

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2019 | 15h19

CARACAS - A chefe do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, se reuniu nesta sexta-feira, 21, com o líder da oposição ao governo chavista da Venezuela, Juan Guaidó. Um encontro de Bachellet com o presidente Nicolás Maduro também está agendado para esta sexta, na tentativa de chegar a um acordo para a crise humanitária no país. 

Segundo Guaidó, Bachelet garantiu a liberação de "presos políticos" na Venezuela. A diplomata teria se mostrado "muito comovida com cada um dos familiares dos presos políticos", afirmou Guaidó em coletiva de imprensa na Assembleia Nacional, único órgão público controlado pela oposição. Na quinta-feira, Bachelet recebeu parentes de pessoas falecidas durante protestos anti-governo, acusadas de conspirar para a derrubada do governo socialista. 

Uma das propostas vindas de Bachelet, segundo o líder da oposição, seria abrir um escritório temporário na Venezuela para monitorar questões relacionadas aos direitos humanos, além de permitir que outros representantes do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU visitem outras regiões. 

Guaidó também afirmou ter dialogado com a comissariada sobre a "perseguição" aos membros do Legislativo, que estão presos, em exílio, refugiados em embaixadas ou na clandestinidade.

Um dos casos mais recentes foi o do vice-presidente da Câmara da Venezuela, Edgar Zambrano, detido sob acusações de apoiar a falida revolução dos militares contra Maduro, liderada por Guaidó em 30 de abril. Outros 14 congressistas enfrentam a mesma acusação. 

Guaidó, que é reconhecido por mais de 50 países como presidente interino, é visto por Maduro como um integrante de um golpe liderado pelos EUA para tirar o presidente do poder e explorar as reservas de petróleo no país.

A visita de Bachelet "fala da importância da situação, da crise, do reconhecimento da complexa emergência humanitária que está prestes a se converter em uma catástrofe", reforçou Guaidó. "Essa visita deve servir para revigorar a luta na Venezuela".

Por outro lado, Maduro parece estender o tapete vermelho para Bachelet. Na véspera de sua chegada, o governo liberou 28 ativistas da oposição considerados presos políticos. Anteriormente, Maduro começou a permitir o acesso da Cruz Vermelha ao país para auxílio humanitário.Esta sexta é o terceiro dia da visita da diplomata da ONU ao país, que além de Maduro, também irá conversar com o presidente da Suprema Corte e o procurador-geral. O antecessor de Bachelet, Zeid Ra'ad al-Hussein, teve o acesso à Venezuela negado diversas vezes, ao criticar o que chamou de recusa do governo de reconhecer uma crise humanitária.

Em comunicado na TV estatal na quarta-feira, ele afirmou que estava pronto para ouvir qualquer proposta da diplomata que tivesse como objetivo melhorar as condições da Venezuela. "Nós aguardamos a visita dela", disse. "Vai ser bom para o sistema de direitos humanos da Venezuela". 

A comissária da ONU fará um único pronunciamento na noite de sexta antes de deixar a Venezuela.

Manifestação

Cerca de 300 manifestantes se concentraram nesta sexta-feira em frente à sede da ONU em Caracas para chamar a atenção de Bachelet sobre os presos políticos, o colapso do sistema de saúde e a falta de liberdade. Cartazes como "Maduro é Pinochet" foram erguidos para a ex-presidente do Chile, assim como carrinhos de bebê vazios, para representar o atendimento médico precário a menores de idade. 

Segundo a ONU, um quarto da população venezuelana - equivalente a 7 milhões de pessoas - requere atenção humanitária urgente. Quatro milhões deixaram o país desde 2015, segundo relatório divulgado nesta semana. / AFP e AP

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