Bactéria sugere vínculo entre Bin Laden e Saddam

De Iowa para o Iraque. Do Iraque para a República Checa. Da República Checa para a Flórida. Uma série de indícios sugere que esta pode ter sido a trilha percorrida pelo antraz. A bactéria, desenvolvida nos anos 50 pela universidade de Iowa, foi levada 30 anos depois a vários países do mundo, incluindo o Iraque. Os americanos desconfiam que o presidente Saddam Hussein, que não permite que o país fiscalize os armamentos de seu país, teria estocado 7.500 litros do produto. O governo checo informa que, em junho do ano passado, Mohammed Atta esteve na capital, Praga, e conversou duas vezes com agentes secretos do serviço iraquiano. Atta, garante o FBI, foi um dos líderes dos atentados de 11 de setembro. E ele morou vários meses na Flórida - onde surgiram os primeiros casos de antraz, e de onde partiram as cartas que chegaram a Nova York. Dias antes de pilotar um dos aviões seqüestrados, Atta esteve no aeroporto de Boca Raton, onde apurou detalhes sobre o funcionamento dos aviões usados para espalhar fertilizantes. Depois dos atentados esses aparelhos foram proibidos de se aproximarem das grandes cidades. Bin Laden armado? Na última terça-feira o ministro britânico das Relações Exteriores, Ben Bradshaw, disse que é provável que Bin Laden tenha seu próprio arsenal químico e biológico. "Sabemos que a Al Qaida tentou adquirir armas químicas durante os últimos 10 anos. É bem provável que tenha conseguido", deduziu o ministro, durante uma entrevista a uma tevê australiana. "Só não sabemos se eles contam com um mecanismo de propagação." Bradshaw ressaltou que não existem provas sobre planos específicos de atentados. "Não temos conhecimento de que exista uma ameaça específica. Mas não duvidamos que eles possam usar estas armas se tiverem oportunidade." De volta à Casa Branca pela primeira vez desde domingo, o vice-presidente Dick Cheney reforçou a suspeita. "Eu não me surpreenderia se esses casos de antraz fossem obra de Bin Laden", disse, em entrevista à tevê pública americana. Mas ele foi cuidadoso: "A única maneira de provar a responsabilidade é trabalhar com a possibilidade de que haja uma ligação. Sei que as investigações não terminaram e que provavelmente se trate de coincidência, mas eu tenho minhas dúvidas." Alerta O FBI continua afirmando que não existem vínculos claros entre os atentados e os casos de contaminação por antraz. Por via das dúvidas, Estados Unidos e Inglaterra continuam em estado de alerta contra possíveis ataques terroristas. Leia o especial

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