Bagdá amanhece em calma no dia da sentença Saddam

Neste domingo, a capital iraquiana amanheceu em calma e repleta de policiais e soldados diante do iminente anúncio da sentença de Saddam Hussein e sete de seus colaboradores pela detenção e execução, em 1982, de 148 xiitas no chamado "caso Dujail". O Governo impôs o toque de recolher nas províncias de Bagdá, al-Anbar, Salah ad-Din e Baquba para evitar possíveis atentados em reação pela sentença contra Saddam e seus colaboradores. Além disso, o tráfego do aeroporto de Bagdá foi fechado durante todo o dia. As ruas da capital aparecem quase vazias, e só se vêem policiais e soldados, assim como aconteceu nos dias de convocações eleitorais nos últimos anos. O promotor chefe pediu a pena de morte para Saddam e três de seus colaboradores. O ex-ditador solicitou que, em caso de execução, seja perante um pelotão de fuzilamento, e não na forca. A maioria dos cidadãos iraquianos se mantém fechada em suas casas, atentos aos canais de TV para ver ao vivo a sentença de Saddan, que foi derrubado, em 2003, por uma invasão militar dirigida pelos Estados Unidos. O primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, que anteriormente expressou seu desejo que Saddam seja condenado à morte, se mostrou ontem mais comedido em entrevista coletiva: "Espero que Saddam tenha o castigo que merece pelo caso Dujail". Maliki anunciou que, neste domingo, pronunciaria um discurso para pedir calma e para solicitar que o povo expresse sua alegria de forma ordenada. O "caso Dujail", que custou o primeiro julgamento a Saddam e seus colaboradores, estudou a detenção e a posterior execução dos 148 xiitas na população de Dujail, em 1982, como represália por uma tentativa frustrada de assassinato de Saddam quando sua comitiva presidencial atravessava o povoado. O chefe da defesa de Saddam, Khalil al-Dulaimi, pediu na sexta-feira um adiamento de 60 dias para pronunciar a sentença sobre Saddam, e ter assim tempo de preparar todos os documentos necessários, mas sua reivindicação não foi atendida.

Agencia Estado,

05 Novembro 2006 | 05h25

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