Bagdá anuncia expulsão de empresa dos EUA

Governo deu a ordem após envolvimento de seguranças da Blackwater em tiroteio que matou 11

AP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2018 | 00h00

O governo iraquiano suspendeu ontem a licença da empresa de segurança americana Blackwater para atuar no país, após seus funcionários terem se envolvido, no domingo, num tiroteio no qual 11 pessoas morreram. O Ministério do Interior iraquiano também informou que eles serão processados.Segundo a polícia, os seguranças da Blackwater atiraram contra iraquianos após granadas de morteiros terem caído próximo ao comboio em que estavam em Mansur, um bairro no oeste de Bagdá."Eles (os americanos) abriram fogo contra os moradores aleatoriamente ", disse o general Abdul-Karim Khalaf. Pelo menos 13 pessoas ficaram feridas. A Embaixada dos EUA no Iraque afirmou que o tiroteio teve início após uma bomba explodir no momento em que diplomatas americanos estavam passando no local. A Blackwater é uma das maiores empresas estrangeiras no Iraque e é responsável pela vigilância de prédios, como o da Embaixada americana. Seus funcionários também fazem a segurança de autoridades e militares americanos de alto escalão quando passam pelas cidades iraquianas.Em 2004, quatro empregados da Blackwater foram assassinados e tiveram seus corpos queimados e expostos numa ponte em Faluja, a 45 quilômetros de Bagdá.A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, telefonou para o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, para tratar do assunto. Ela lamentou as mortes e deixou claro que o caso será investigado "com transparência". Ao condenar o ataque, Maliki afirmou que irá "trabalhar pela punição dos envolvidos e pela suspensão da empresa que conduziu esse ato criminoso".Cerca de 130 mil seguranças particulares trabalham atualmente no Iraque. Muitas vezes qualificados como mercenários, eles são acusados de desrespeitar as leis nacionais e as regras da Convenção de Genebra (que definem normas sobre os direitos humanos durante guerras), já que não precisam prestar contas nem ao governo iraquiano nem ao Exército dos EUA.

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