Bagdá cavará trincheiras para evitar atentados

As forças de segurança iraquianas irão cavar trincheiras ao redor de Bagdá, em um raio de aproximadamente 100 quilômetros, a fim de prevenir que insurgentes e carros-bomba entrem na cidade de seis milhões de habitantes, afirmou o ministro do Interior nesta sexta-feira.Uma proibição na circulação de veículos, com o objetivo de evitar a violência em Bagdá ao longo do dia, fez com que a polícia registrasse apenas dois mortos em tiroteios nesta sexta-feira. Mas outros 30 corpos com sinais de tortura foram encontrados na capital, inclusive o de um homem que foi desmembrado e jogado no rio Tigre. Além disso, um marine morreu na sexta-feira durante uma missão na província de Anbar. Pouco depois do incidente, outro soldado americano não resistiu à explosão de uma bomba de beira de estrada em Bagdá.A atual onda de violência que atinge a capital iraquiana já implicou na morte de mais de 130 pessoas entre quarta e quinta-feira - todos vítimas de atentados a bomba, tortura ou execução.Segundo os militares americanos, os números são conseqüência de disputas sectárias entre árabes sunitas e xiitas, que contam com esquadrões da morte que aterrorizam setores inteiros de Bagdá. Comunicados distribuídos pelo bairro de Hurriyah nesta sexta-feira ameaçam assassinar 10 sunitas para cada xiita morto.Inspirado em um episódio da história islâmica, o plano de cavar trincheiras ao redor de Bagdá é a mais nova - e talvez estranha - mudança no que vem sendo uma batalha perdida para prevenir a entrada de armas e carros bombas na capital."As trincheiras serão cavadas ao redor de Bagdá nas próximas semanas", disse o porta-voz do ministério do Interior Abdul-Kareem Khalaf. "Elas circularão Bagdá."Planos falidosOs carros bombas e suas variantes - motos e bicicletas, na maioria dos casos - são os responsáveis pela maioria das mortes em Bagdá. E, para as autoridades bagdalis, esses dispositivos são armados em áreas ao sul da cidade, na região conhecida como "Triângulo da Morte".Outras operações para barrar este tipo de atentado já haviam sido estabelecidas em Bagdá - a maioria sem sucesso. O primeiro grande plano - batizado de "Operação Relâmpago" - foi lançado com grande pompa em maio de 2005. À época, mais de 40 mil policiais e soldados iraquianos, apoiados por tropas americanas, foram mandados para a cidade. Um de seus principais objetivos era impedir a entrada de carros bombas vindos do sul de Bagdá.O plano falhou, e um ano depois uma nova operação foi lançada no encalço da onda de assassinatos que atinge Bagdá desde fevereiro. Conhecida como "Operação Juntos Avançaremos", o plano foi posto em prática no dia 15 de junho, mas até agora apresentou poucos avanços. Somente em julho, mais de 1.500 pessoas morreram no Iraque, um número alto até para os padrões iraquianos - e que despertou preocupações entre a cúpula militar americana de que o país esteja a beira de uma guerra civil. Novo planoO novo plano, anunciado nesta sexta-feira, irá restringir a entrada de veículos e pedestres em Bagdá a apenas 28 pontos. "Nós deixaremos apenas 28 entradas abertas para Bagdá, enquanto todas as outras serão fechadas. Equipes de apoios trabalharão nesses checkpoints para monitorar o movimento de pessoas e veículos. As trincheiras estarão sob nossa responsabilidade", disse Khalaf. Ainda segundo o porta-voz, o plano foi inspirado pela batalha de Khandaq, ocorrida no ano de 627, quando o Profeta Maomé protegeu a cidade de Medina cavando profundas trincheiras ao redor da cidade. Khalaf concluiu dizendo que se naquela época era possível cavar trincheiras com ferramentas de mão, não será difícil reproduzi-las atualmente com maquinário moderno.

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