Bagdá detém supostos seguidores de Saddam

Pelo menos 23 funcionários iraquianos dos ministérios do Interior, Defesa e Segurança Nacional - entre eles quatro generais - foram detidos, sob acusação de tentar reconstituir o Partido Baath, do ex-presidente Saddam Hussein, deposto pelos EUA. Sem se identificar, funcionários do governo disseram ainda ao jornal The New York Times que alguns dos presos estavam arquitetando um golpe de Estado. Porta-vozes dos ministérios confirmaram as prisões, mas desmentiram o plano para depor o governo.O general Abdul Khalaf afirmou que os funcionários são suspeitos de integrar o grupo Al-Awda (O Retorno), versão clandestina do Partido Baath formada após a invasão liderada pelos EUA, em 2003. Majoritariamente sunita, o partido governou o Iraque com mão-de-ferro por 35 anos - 24 deles sob o comando de Saddam. Oito meses após a invasão dos EUA, o Baath foi oficialmente proscrito.As prisões divulgadas ontem teriam sido feitas por uma unidade de contraterrorismo que responde diretamente ao primeiro-ministro iraquiano, o xiita Nuri al-Maliki - perseguido durante o regime de Saddam. A um mês das eleições estaduais e em meio ao anúncio da retirada das forças dos EUA e da Grã-Bretanha do Iraque, aumentam as acusações de que Maliki estaria usando as detenções para consolidar seu poder.DESCULPAS POR SAPATADA Em carta enviada a Maliki, o jornalista preso por atirar seus sapatos contra o presidente George W. Bush, Muntadhar al-Zaidi, pediu desculpas, disse um porta-voz do premiê. No texto, Zaidi recorda uma entrevista que fez com Maliki e pede perdão oficial - que só pode ser concedido pelo presidente iraquiano, Jalal Talabani. O irmão de Zaidi disse que o jornalista foi brutalmente agredido após ser preso.

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