Bagdá diz-se pronta para assumir segurança do país

O anúncio da retirada das tropas de combate americanas do Iraque até agosto de 2010, feito ontem pelo presidente Barack Obama, causou reações antagônicas entre iraquianos. Nas ruas de Bagdá, alguns saudavam o fim dos seis anos de ocupação, enquanto outros levantavam dúvidas sobre a capacidade das forças de segurança iraquianas de evitar uma nova onda de violência.Em Tikrit, cidade natal de Saddam Hussein, o funcionário do governo Hazim Ali Hamid comemorava o anúncio. "Os EUA conseguiram uma coisa: destruir o Iraque. Esperamos que os militares americanos nos deixem o quanto antes para pôr um ponto final em uma das páginas mais sangrentas de nossa história", afirmou Hamid.Para o deputado Mustafa al-Hiti, o plano de Obama respeita as aspirações dos iraquianos, que querem ver o país livre de forças de ocupação: "Temos suficiente confiança em nossas forças de segurança e achamos que não há possibilidade de a violência piorar."No entanto, segundo Raji Abbas, xiita de Najaf, no sul do país, a saída dos EUA deve ser vista com cautela."O Iraque retomará sua soberania e os EUA se livrarão de vários problemas econômicos e militares. Mas, antes de sair, Washington deve fazer o máximo para treinar e equipar nossas forças de segurança e combater as ameaças ao nosso país", disse Abbas.O governo iraquiano, porém, disse-se tranquilo em relação à sua competência de garantir a ordem no país após a retirada. "Não há dúvidas de que os iraquianos são capazes de garantir a segurança do país. Somos capazes de assumir essa responsabilidade", disse o porta-voz do Ministério do Interior, general Abdel Karim Khalaf.As tropas dos EUA que permanecerão no país treinarão o aparato de segurança e defesa iraquiano, além de auxiliar em operações de contraterrorismo. Para isso, Obama garantiu que manterá no Iraque entre 35 mil e 50 mil soldados até 2011.

AP, AFP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

28 de fevereiro de 2009 | 00h00

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