Bagdá tem 17 mortos em mais um dia de violência sectária

Três novos ataques com carros-bomba em Bagdá mataram ao menos 17 pessoas nesta quarta-feira, um dia após a explosão de um carro-bomba ter deixado pelo menos 70 mortos. Dois dos ataques foram explosões simultâneas com carros-bomba que atingiram trabalhadores que procuravam emprego no subúrbio de Jadida, em Bagdá. Pelo menos quatro pessoas morreram e dez ficaram feridas nos ataques. Jadida é um bairro religioso misto.De acordo com policiais ouvidos pela agência de notícias France Presse, os ataques podem ter sido feitos em represália aos atentados anteriores contra trabalhadores xiitas.Mais cedo, um carro-bomba havia explodido no subúrbio de Kamaliya, de maioria xiita, matando pelo menos 11 pessoas e ferindo 25.De acordo com autoridades iraquianas, o carro-bomba explodiu perto de uma mesquita, em uma região que costuma ficar lotada pela manhã com trabalhadores em busca de empregos.Em outro episódio parecido, a explosão de um outro carro-bomba deixou dois mortos no bairro sunita de Yarmouk. Outras três pessoas ficaram feridas.Na terça-feira, ao menos 70 pessoas haviam sido mortas após a explosão de um carro-bomba em Cidade Sadr, onde xiitas também tentavam conseguir um dia de trabalho.Muitos iraquianos evitam lugares lotados, que são cada vez mais alvo de atentados. Mas, segundo correspondentes, a necessidade de trabalho faz com que muitas pessoas estejam preparadas para enfrentar o risco.Os homens-bomba vêm atraindo vítimas para perto de si com falsas promessas de emprego.No norte do Iraque, homens-bomba atacaram uma base militar na cidade de Riyadh, matando pelo menos sete soldados iraquianos.A base fica a 60 quilômetros ao sul da cidade de Kirkuk, disputada por curdos, árabes e turcos interessados nas terras ricas em petróleo ao redor.Violência sectáriaMilitantes sunitas são apontados como culpados pela onda de ataques contra a maioria xiita iraquiana nas últimas semanas. No dia 23 de novembro, mais de 200 pessoas morreram em uma série de explosões em Sadr City.O mês de novembro foi o mais sangrento desde que os Estados Unidos invadiram o Iraque, em 2003.A escalada da violência aumentou a pressão para que os Estados Unidos apresentem uma nova estratégia para o Iraque.Na semana passada, o aguardado relatório encomendado pelo governo americano foi divulgado e pediu ações urgentes para evitar que o Iraque ?escorregue em direção ao caos?.O relatório apresentou 79 recomendações. O presidente americano, George W. Bush, reconheceu a necessidade de uma nova estratégia, mas até agora não aceitou as sugestões principais do documento - entre elas a inclusão de Irã e Síria no debate.Na terça-feira, a Casa Branca disse que não vai anunciar nenhuma mudança em sua política para o Iraque até o Ano Novo.O segundo mais alto comandante americano no Iraque, comandante-general Peter Chiarelli, disse nesta terça-feira que a redução do desemprego e a melhora nos serviços podem ajudar a diminuir a violência no país.Chiarelli, que está saindo do Iraque, afirmou que a força militar não pode resolver a situação sozinha.

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