Bahrein barra julgamentos militares para manifestantes

O governo do Bahrein parou hoje de levar a julgamento manifestantes contrários ao governo em tribunais especiais com promotores militares, informou um advogado. A medida encerra uma prática considerada injusta por ativistas de direitos humanos e por aliados ocidentais do reinado do Golfo Pérsico.

AE, Agência Estado

30 de junho de 2011 | 12h49

O tribunal foi estabelecido em março, quando os governantes sunitas do Bahrein impuseram um estado de emergência a fim de reprimir os protestos de xiitas, que exigem liberdades políticas e maiores direitos. Os julgamentos de dezenas de opositores, ativistas dos direitos humanos e profissionais xiitas continuaram mesmo depois de o estado de emergência ter sido encerrado, no início do mês.

O advogado de um médico que está entre os 47 profissionais de saúde, julgados por terem tratado de manifestantes feridos durante os protestos, disse que os casos foram transferidos para tribunais civis. Os funcionários da saúde são condenados por participar do esforço para derrubar a monarquia bareinita. Uma audiência sobre o processo contra 20 médicos, marcada para hoje, foi cancelada, disse o advogado, em condição de anonimato, por temer pôr em perigo seus clientes que estão presos.

A decisão de transferir os julgamentos para tribunais civis ocorre no momento em que os governantes sunitas tentam abrir conversações de negociação com a oposição xiita. Washington encorajou o diálogo no país, que abriga a 5.ª Frota da Marinha dos Estados Unidos, e pediu que a monarquia atenda algumas das exigências da oposição.

Comissão independente

Num aparente esforço para atrair grupos opositores para as negociações, o rei bareinita Hamad bin Isa Al Khalifa anunciou ontem a criação de uma comissão independente, que vai investigar as acusações de que os direitos dos manifestantes foram violados durante a repressão contra os protestos. O apelo do monarca pelo diálogo, que deve começar no sábado, foi recebido com frieza pelos grupos opositores. Os líderes do maior partido xiita do país, o Al Wefaq, ainda não decidiram se participarão das negociações.

Pelo menos 31 pessoas morreram desde fevereiro, quando os xiitas do Bahrein, inspirados pelos levantes em outros pontos do Oriente Médio, iniciaram uma campanha para encerrar o domínio da minoria sunita no poder. Quatro pessoas morreram na prisão. As informações são da Associated Press.

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