Hasan Jamali/AP
Hasan Jamali/AP

Bahrein cometeu abusos ao reprimir protestos, indica relatório

Comissão independente afirma que xiitas iranianos não participaram de manifestações no país

Associated Press

23 de novembro de 2011 | 18h32

MANAMA - Uma comissão independente divulgou um relatório nesta quarta-feira, 23, acusando os líderes do Bahrein de utilizar força excessiva, torturar e prender sem julgamento opositores que participaram dos protestos contra o governo no país, aplicando um duro golpe no governo do rei Hamad bin Isa al-Khalifa.

 

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O chefe da comissão, Mahmoud Cherif Bassiouni, disse também que não há evidências de ligações de xiitas iranianos nos protestos, o que representa mais um ponto negativo para os líderes do país, uma vez que eles culpavam Teerã por enviar agitadores ao pequeno reino do Golfo Pérsico aliado do Ocidente.

 

O estudo de 500 páginas, autorizado pelos líderes sunitas do Bahrein como um modo de atenuar as tensões, se mostra como o mais compreensivo documento sobre as medidas de segurança tomadas por qualquer governo durante as revoltas que tomaram conta do mundo árabe neste ano. O relatório também evidencia a oposição que al-Khalifa enfrenta em seu país.

 

Bassiouni apresentou o relatório na presença do rei e do príncipe herdeiro, listando algumas das ações dos líderes sunitas para reprimir as manifestações por mais abertura no Bahrein - rondas para "criar medo", abusos e torturas dentro de prisões e a destruição de mesquitas xiitas que "deram a impressão de punição coletiva". Pelo menos 35 pessoas morreram durante os protestos.

 

O governo, que raramente passa por situações de questionamento como esta, prometeu que os suspeitos de cometer tais abusos não encontrariam imunidade e afirmou que proporia a criação de uma comissão de direitos humanos. "Todos os que transcenderam as leis ou ignoraram ordens e instruções serão considerados responsáveis", diz a nota governamental.

 

Os xiitas constituem cerca de 70% da população do país - cujo total é de 525 mil - e reclamam da políticas de exclusão, como não poder conseguir altos cargos no governo ou nas forças armadas. A monarquia ofereceu concessões, incluindo mais poderes ao parlamento, mas não atende às demandas principais de abandonar os principais cargos administrativos. 

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