Bahrein condena 20 médicos que trataram ativistas

Profissionais são sentenciados a 15 anos de prisão por terem cuidado de feridos; manifestante é condenado à pena de morte

MANAMA, O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2011 | 03h02

Um tribunal do Bahrein sentenciou ontem à morte um manifestante que atropelou e matou um policial em março, e mandou prender ao menos 20 médicos que cuidaram de ativistas feridos durante os prolongados tumultos no país, no começo do ano. As punições provocaram críticas enérgicas de grupos de defesa dos direitos humanos.

Segundo a imprensa estatal bareinita, 20 médicos que trabalhavam em um hospital central da capital, Manama, e do Complexo Médico de Salmaniya, o maior hospital público do Bahrein, receberam penas que vão de 5 a 15 anos de prisão.

As condenações são a mais recente indicação de que a monarquia sunita continuará tratando severamente os manifestantes, em sua maioria membros da população xiita, majoritária no país.

A medida procurou atingir em grande parte médicos e enfermeiras que cuidaram de manifestantes feridos. No ápice dos protestos, as forças de segurança invadiram hospitais e prenderam dezenas de profissionais da área de saúde.

Segundo a sentença, os médicos e enfermeiras tinham tomado o hospital e o usavam como base de atividades contra o governo. Eles foram acusados de possuir coquetéis molotov e armas leves, além de roubar remédios, confiscar equipamento médico e "inventar histórias e mentiras".

Os profissionais alegaram que era seu dever tratar de todos que chegavam ao hospital e repudiaram as acusações, segundo as quais cuidar dos manifestantes equivalia a apoiar sua causa.

Integrantes de movimentos de defesa dos direitos humanos acusam o governo de empreender operações sistemáticas para negar os serviços médicos aos manifestantes feridos. A ONG Médicos Sem Fronteiras parou de trabalhar em Bahrein no mês passado, depois que seus escritórios foram invadidos.

A organização Médicos pelos Direitos Humanos, de Cambridge, Massachusetts, pediu ao governo do Bahrein que poupasse os condenados. "São profissionais de medicina que trataram de pacientes no período da rebelião civil, conforme exige seu dever ético", afirmou o chefe do grupo, Hans Hogrefe.

No caso da morte do policial, o tribunal disse que o condenado, identificado como Ali Yusuf Abdulwahab al-Taweed, atropelou o policial com seu carro durante os protestos contra o governo em Sitra, um centro petrolífero ao sul da capital.

Outro homem, que dirigia um segundo carro, foi condenado à prisão perpétua por envolvimento no caso. Desde o início da revolta, 34 pessoas morreram, mais de 1.400 foram presas e 3.600 perderam os empregos. / NYT

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.