Bahrein usa gás lacrimogêneo contra manifestantes

A polícia antidistúrbio do Bahrein usou gás lacrimogêneo nesta sexta-feira para dispersar alguns dos milhares de manifestantes que tomaram as ruas do país para exigir a queda do governo, depois que um relatório mostrou a ocorrência de tortura e outros abusos contra prisioneiros.

AE, Agência Estado

30 de dezembro de 2011 | 16h54

Os manifestantes carregavam a bandeira vermelha e branca do Bahrein quando marcharam pelos quase seis quilômetros ao longo da via que corta o bairro xiita num distrito do norte do país. Após a passeata, várias centenas de manifestantes se reuniram numa rotatória, o que fez a polícia isolar a via e dispersar a multidão com gás lacrimogêneo.

Os xiitas do Bahrein, que são cerca de 70% dos 525 mil habitantes do país, reclamam de discriminação dos governantes sunitas, o que inclui a impossibilidade de alcançar os principais postos no governo e no Exército. A monarquia fez algumas concessões, mas se recusou a se curvar às exigências de maiores liberdades e direitos políticos.

Ativistas acusam o governo de falhar na implementação das recomendações da comissão de averiguação. O relatório de 500 páginas, divulgado no final de novembro, mostrou que uma série de detentos foi torturado, o que era uma "prática deliberada" durante o pico dos protestos em fevereiro e março.

O relatório sobre a repressão também foi altamente crítico a um tribunal especial de segurança, criado sob uma lei marcial e que impôs duras penas, dentre ela a de morte e "negou à maioria dos réus garantias elementares de um julgamento justo".

Posteriormente, o Bahrein levantou a lei marcial e dissolveu o tribunal de segurança. O relatório pediu que o Bahrein revise todos os veredictos do tribunal de segurança e que desista das acusações contra os acusados por atos não violentos como se unir e apoiar os manifestantes.

Os protestos desta sexta-feira pediam a libertação de prisioneiros políticos, alguns dos quais foram julgados pelo tribunal especial de segurança, além do julgamento de policiais que podem ter participado dos assassinatos de mais de 35 manifestantes desde o início das manifestações, dez meses atrás.

O estudante Mohammed Ali disse acreditar que o relatório prova que o atual governo não tem credibilidade e deve renunciar. Os manifestantes, porém, não pedem a queda da monarquia sunita, que remodelou o governo neste ano por causa da pressão dos ativistas. As informações são da Associated Press.

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