Baixo comparecimento às urnas marca eleições no Paquistão

Contagem dos votos começa sob suspeitas de fraude e pleito parlamentar pode não ter vencedor claro

Agências internacionais,

18 de fevereiro de 2008 | 11h44

Medo de ataques militantes e confusão nos postos de votação fizeram os paquistaneses ir em pequeno número às urnas nesta segunda-feira, 18, nas eleições parlamentares vistas como um passo-chave no sentido da democracia depois de oito anos de regime militar liderado pelo presidente Pervez Musharraf, cujo futuro político está em jogo. O pleito pode ainda falhar na escolha clara de um vencedor e estender a disputa política no país.   Veja também: Em dia de eleições, Musharraf pede conciliação   O Paquistão começou a contar os votos de uma eleição que transcorreu de forma muito mais tranqüila do que se esperava, apesar de o resultado poder instalar um Parlamento inclinado a tirar o presidente Pervez Musharraf, um aliado dos EUA, do comando do país. Pelo menos dez pessoas morreram e outras 70 foram feridas em diferentes episódios de violência relacionados às eleições legislativas no Paquistão. Em vários pontos do país, houve tiroteios entre simpatizantes de diferentes partidos.   Cerca de 81 milhões de paquistaneses tinham direito de votar para as novas assembléias nacional e regionais. As urnas foram fechadas às 9 horas (de Brasília), mas os resultados finais devem demorar pelo dois dias. A presença nas urnas era pequena em muitas partes do país, fazendo prever que o comparecimento será menor do que os 41% da última eleição geral, em 2002.   Ayaz Baig, comissário eleitoral da mais populosa província do Paquistão, Punjab, estimou que o comparecimento às urnas em sua região foi de 30% a 40%. Na província do Baluchistão, a presença nas urnas foi de cerca de 35%, disse o funcionário eleitoral Sono Khan Baluch.   Pesquisas apontam que o partido de Benazir terminará em primeiro, seguido pelo partido oposicionista do ex-premiê Nawaz Sharif. O partido de Musharraf deve terminar em terceiro, caso a votação e contagem sejam limpas. Mas a maior parte dos analistas duvida que a legenda de Benazir elegerá uma bancada majoritária.   Mais de 470 mil policiais e soldados foram mobilizados para garantir a segurança dos eleitores depois de uma onda de ataques suicidas a bomba, incluindo o de 27 de dezembro que matou a ex-premier Benazir Bhutto e forçou uma postergação de seis semanas da votação. Uma bomba no fim de semana matou 46 pessoas perto da fronteira com o Afeganistão.   Musharraf prometeu trabalhar com o novo governo independentemente de quem vença, depois de um ano de turbulências que marcou uma explosão na militância islâmica pró-Taleban e uma crescente insatisfação pública com o apoio do Paquistão à guerra contra o terrorismo dos EUA.   "Digo da minha parte, qual seja o partido que ganhe, quem quer que se torne primeiro-ministro e ministros, congratulações a eles em meu nome. E eu darei a eles plena cooperação como presidente qualquer que seja meu papel", disse Musharraf num discurso televisionado.

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