Bakiyev planeja nova onda de violência, diz oposição do Quirguistão

Bakiyev planeja nova onda de violência, diz oposição do Quirguistão

Segundo Roza Otunbayeva, líder interina, presidente e seus partidários não se renderão

Reuters

09 de abril de 2010 | 09h27

 

 

BISHKEK - A líder interina do governo auto-proclamado do Quirguistão, Roza Otunbayeva, disse nesta sexta-feira, 9, que partidários do presidente Kurmanbek Bakiyev estam preparando uma nova onda de violência e não planejam se render.

 

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"As forças partidárias (de Bakiyev) não estão se preparando para se render. Pode-se ver quantos incidentes violentos estão sendo orquestrados ao redor da cidade pelos partidários de Bakiyev" disse a repórteres a opositora, que lidera o que ela mesmo chama de "governo provisório". "Temos informações de que há diversas bombas plantadas em lugares públicos da cidade", disse Otunbayeva.

 

Bakiyev fugiu para o sul do país, onde se localizam suas regiões de maior apoio, Osh e Jalalabad, enquanto suas forças atiravam nos manifestantes que sitiavam o prédio do governo em Bishkek.

 

Grupos de vigília organizados pelo governo auto-proclamado dedicaram a noite de quinta-feira para confrontar saqueadores na capital e tentar retornar a calma à cidade, onde pelo menos 75 pessoas morreram nos confrontos de quarta-feira.

 

"Temos recursos o suficiente e todo o apoio popular que precisamos" disse Otunbayeva. "Todas as forças armadas estão sob controle. As forças de segurança, a polícia, claro, estão desmoralizadas mas estão aí com a população."

 

Salvo conduto

 

Otunbayeva, afirmou que a segurança de Bakíev está garantida se ele quiser deixar o país, mas antes deverá renunciar ao cargo de presidente. "Garantimos a segurança pessoal (de Bakiyev) e esperamos sua renúncia", afirmou.

 

Consultada sobre uma promessa prévia da oposição de convocar eleições em seis meses, ela respondeu que esse passo seria dado "tão logo se normalizasse a vida" no país, depois de feita uma reforma constitucional. "Temos um grupo de trabalho para elaborar uma minuta de Constituição. Nas negociações prévias, os três partidos mais importantes da oposição entraram em acordo sobre uma nova Constituição no contexto de uma república parlamentar. Ofereceremos essa Constituição ao povo assim e assim que a situação se normalizar cumpriremos nossas promessas", acrescentou.

 

Parentes de Bakiyev

 

Ainda nesta sexta-feira, o novo governo expediu um mandado de prisão contra o irmão do presidente Bakiyev, Zhanish Bakiyev, e outros membros de sua família, por incitar a violência contra a população quirguis.

 

"Toda a culpa dos mortos recai no antigo chefe do Serviço de Segurança Estatal", assegurou Azimbek Beknazarov, vice-primeiro-ministro do governo formado pela oposição. Segundo Beknazarov, as novas autoridades "estão tomando medidas para sua detenção".

 

De acordo com a agência de notícias Fergana, o presidente Bakiyev e seus irmãos, Zhanish e Ajmat, estão na cidade de Markai.

 

Rússia

 

O novo comando quirguiz agradeceu a Moscou pelo "apoio significativo" à revolução. A Rússia foi o primeiro país a reconhecer a mudança em Bishkek.

 

Um alto oficial da Rússia afirmou na quinta-feira que Bakiyev não cumpriu uma promessa de fechar uma base militar dos EUA no país e sugeriu que Moscou iria pressionar o novo governo a cumprir o fechamento. "Deve haver apenas uma base no Quirguistão - russa", disse a autoridade a repórteres em Praga, em condição de anonimato. "Bakiyev não cumpriu sua promessa sobre a retirada da base americana", disse oficial.

 

Segundo um oficial do novo governo formado no Quirguistão, há uma alta probabilidade de que a base aérea americana no país, que serve as tropas dos EUA no Afeganistão, tenha seu prazo de estadia reduzido. Autoridades de facto quirguizes já falam em retirar a base dos EUA do país.

 

 

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