Bala de fuzil matou menino palestino, revela autópsia

Uma autópsia realizada por médicos palestinos revelou hoje que o menino Ahmed Moussa, de 10 anos, morto ontem por soldados israelenses na aldeia de Naalin, na Cisjordânia, foi alvejado por munição de fuzil, e não por uma bala de borracha. O governador de Ramallah, Said Abu Ali, disse hoje que a autópsia revelou que Ahmed foi atingido na cabeça por uma bala de fuzil M-16. O garoto estava no local onde ocorria um protesto contra uma barreira de segurança que Israel vem construindo na Cisjordânia. O Exército israelense informou que está investigando o caso.Os moradores de Naalin protestam quase diariamente contra a barreira, que, quando concluída, impedirá o acesso dos camponeses palestinos às oliveiras que cultivam na região. No incidente de ontem, soldados israelenses começaram a erigir uma cerca improvisada para impedir os manifestantes de chegaram a escavadeiras que removiam a terra para a construção da barreira.De acordo com os participantes do protesto, os israelenses primeiro lançaram gás lacrimogêneo e usaram balas de borracha, mas passaram a atirar com munição real quando manifestantes começaram a escalar a cerca. Uma das balas atingiu Moussa na cabeça.Israel começou a construir uma barreira de centenas de quilômetros de extensão em 2002 sob a alegação de que o emaranhado de cercas, muros e trincheiras é necessário para impedir incursões de militantes radicais palestinos em seu território.Os palestinos denunciam a barreira como uma tentativa israelense de tomar territórios nos quais a Autoridade Nacional Palestina (ANP) pretende fundar um Estado independente e soberano, inviabilizando sua emancipação.

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