Baleias perdem e Japão ganha em encontro no Chile

As nações contrárias à caça, com Austrália à frente, expressaram preocupação quanto às decisões da comissão

SIMON GARDNER, REUTERS

27 de junho de 2008 | 15h48

As baleias emergiram como as grandes perdedoras do encontro da Comissão Internacional de Caça às Baleias, que se realizou durante uma semana em Santiago, no Chile, e se encerrou nesta sexta-feira, 27, disseram grupos conservacionistas, desapontados com o fato de as nações contrárias à pesca da baleia não terem sido capazes de barrar o caçador número 1 do animal, o Japão.       Veja também: Acordo permite continuidade de caça científica de baleias Parte da caça nativa de baleias é comercializada na Groenlândia Mudança climática vai extinguir 30% do habitat das baleias Comissão de Caça às Baleias adia questões controversas  Chile declara banida caça às baleias em suas águas As nações contrárias à caça da baleia, com a Austrália à frente, expressaram profunda preocupação pelo Japão escamotear a moratória comercial, estabelecida em 1986, usando como justificativa a alegação de que as centenas de baleias que caça todo o ano são destinadas à pesquisa científica. O Japão disse estar descontente com a moratória e que deseja retomar a caça comercial. A divisão entre os dois lados causou tanta tensão que o presidente da comissão, Bill Hogarth, criou um grupo de trabalho, para obter um ano de folga para tentar chegar a um consenso e evitar um confronto este ano. Mas a orientação deliberada de evitar o confronto, que incluiu um chamado às nações para não votarem umas contra as outras em questões litigiosas como a caça feita pelos japoneses ou pedidos de criação de um santuário das baleias no Atlântico Sul, significa que pouco foi alcançado no encontro. "Acho que foi uma semana decepcionante para as baleias", disse Ralf Sonntag, do Fundo Internacional para o Bem-Estar dos Animais. "O Japão volta pra casa sem nenhuma votação ou resolução contra si. A Islândia iniciou uma nova rodada de caça comercial da baleia pouco antes desta conferência. Portanto, eles não a estão levando a sério. Nada foi alcançado para as baleias", disse Sonntag. O Japão concedeu a si mesmo uma permissão especial para caçar 1.000 baleias por ano, apesar da moratória, enquanto a Noruega e a Islândia continuam a caçar baleias, desafiando a proibição, que não tem caráter obrigatório. A população indígena da Groenlândia, Alasca e das áreas árticas da Rússia recebe concessões especiais para continuar a caçar baleias com finalidade de subsistência. Mas grupos que defendem a conservação tiveram como consolo a decisão das nações contrárias à caça de bloquear um pedido da Groenlândia de elevar sua cota para este ano, diante das reclamações de que carne de baleia está sendo vendida comercialmente em supermercados da Groenlândia.

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