REUTERS/Eric Gaillard
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Balneário de Nice é viveiro de extremistas

Região do balneário francês onde foi cometido o atentado de 14 de julho é conhecida, no universo dos radicais islâmicos, como a terra natal de Omar Omsen, importante recrutador de extremistas que mantinha acampamento com 30 jovens

O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2016 | 16h19

NICE, França - A região de Nice é conhecida há anos por ser um foco de radicalização islamita, onde um dos principais recrutadores franceses de extremistas sempre operou.

O atentado cometido na noite de 14 de julho foi classificado como terrorista pelas autoridades, embora até o momento sua autoria não tenha sido reivindicada. De qualquer forma, o modus operandi lembra os slogans de grupos terroristas como Al-Qaeda ou Estado Islâmico.

No mundo do extremismo francês, Nice é lembrada como a terra natal de Omar Omsen, conhecido como Oumar Diaby, considerado pelos serviços antiterroristas como um importante recrutador de extremistas que desejam ir à Síria. Omsen era próximo do Forsane Alizza, um grupo islamita dissolvido pelo governo em 2012.

Autor de vídeos de propaganda, este ex-delinquente franco-senegalês de 40 anos, que se autoproclamou imã em Nice, viajou à Síria em 2013, afirmando lutar nas fileiras do Jabat al-Nusra, o braço local da Al-Qaeda.

No verão passado circulou a notícia de sua morte em combate, mas no início de junho reapareceu em um programa do canal France 2, Complément d'enquête. Foi divulgado então que tinha um acampamento na região de Latakia (noroeste), onde comandava uma unidade de 30 jovens franceses, em sua maioria originários de Nice.

Em março, o nome desse recrutador especialmente ativo na internet reapareceu após a detenção na região de Paris de um homem suspeito de querer efetuar "atos violentos" na França.

Doutrinamento. Esse indivíduo, Youssef E., havia sido condenado em março de 2014, junto com outros dois homens, por uma viagem interrompida à Síria.

O trio teria entrado em contato durante uma reunião organizada em dezembro de 2011 em Nice por Oumar Diaby, para falar da "Hégira", ou imigração às terras do jihadismo. Um dos condenados, Fares F., declarou aos investigadores que havia sido doutrinado.

Segundo fontes policiais, antes de viajar à Síria, Oumar Diaby trabalhou em 2012 em um estabelecimento de fast-food halal em Nice, chamado Nosra, investigado pelos serviços de inteligência.

Diante da partida de vários jovens à Síria, a cidade da Riviera Francesa já foi ameaçada pelo extremismo em ocasiões anteriores.

No dia 3 de fevereiro de 2015, semanas depois do trauma provocado pelos atentados contra a revista satírica Charlie Hebdo e um supermercado kosher, Moussa Coulibaly agrediu com uma faca três militares que montavam guarda diante de um centro judeu de Nice.

Durante sua detenção, Coulibaly falou de seu ódio à França, à polícia, aos militares e judeus, segundo uma fonte próxima ao caso.

"Sabemos que em Nice há um foco de radicalização", observa o relator da comissão de investigação parlamentar sobre os atentados de 2015, o deputado socialista Sébastien Pietrasanta.

Além disso, acrescenta o deputado, após o ataque de Moussa Coulibaly no início de 2015, Nice foi "a única zona da França", além de Paris, "onde o dispositivo de segurança foi reavaliado para passar ao nível 'alerta atentado' "./AFP

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