Balneário francês foi tomado pelo pânico 

Vítimas foram atingidas instantes após queima de fogos em uma praia de Nice

O Estado de S. Paulo, Andrei Netto  CORRESPONDENTE / PARIS 

14 Julho 2016 | 23h01

A tragédia desta quinta-feira, 14, causou pânico em Nice, um dos balneários mais procurados por turistas da Europa durante o verão. Os primeiros relatos publicados em redes sociais ou colhidos no início da madrugada indicavam um ataque premeditado, que começou pelo atropelamento de pedestres e terminou com uma troca de tiros com a polícia.

No site Medium, o jornalista Damien Allemand, que trabalha para o jornal Nice Matin, o mais importante da região, publicou um relato do que presenciou no centro da cidade. “No fim do show, nos levantamos ao mesmo tempo. Caminhamos para as escadas, todos apertados como sardinhas. Eu ziguezagueava entre as pessoas para chegar à minha scooter. Ao longe, ouvi um barulho e gritos”, contou. 

“Uma fração de segundos mais tarde um enorme caminhão branco trafegava em uma velocidade louca, dando golpes de volante para atingir um máximo de pessoas. Este caminhão da morte passou a alguns metros de mim e eu nem mesmo me dei conta.”

Ainda segundo o jornalista, “corpos voavam como garrafas de boliche na passagem” do veículo. “Ouvi barulho e gritos que não vou esquecer jamais. Fiquei imóvel. Em torno de mim, era o pânico. As pessoas corriam, gritavam, choravam. Então, eu entendi e corri também.”

Outra testemunha foi Melina Macri, de 40 anos, ouvida pelo jornal Le Monde. Ela acompanhava a festa na praia de Beau Rivage na hora do ataque. “Nós comemorávamos um aniversário e estávamos prestes a voltar para casa quando vimos pessoas correndo na praia e gritando: ‘Estão atirando! Corram!’. Corremos sem saber muito o que fazer. Foi um pânico incrível, com todo mundo correndo na praia e na Promenade des Anglais”, disse Melina.

Segundo Carlo Brusa, morador de Nice ouvido pela rede BFMTV, o atentado ocorreu instantes após o fim da queima de fogos de artifício, ainda quando a multidão estava nas ruas de Nice. “No final dos fogos de artifício, subíamos pela avenida e começamos a ouvir as pessoas gritando”, descreveu. “Então, percebemos que a situação era gravíssima e nos escondemos em uma garagem.”

No início da madrugada, toda a área atingida pelo atentado foi isolada pela polícia. O silêncio predominava no centro da cidade, com restaurantes e bares fechados. A maior parte dos moradores cumpriu a orientação das autoridades para não saírem de casa. 

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