Ban critica sudanês em cúpula árabe

Chefe da ONU exige que Bashir permita volta de ONGs a Darfur

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

31 de março de 2009 | 00h00

Os governos árabes deixam de lado suas diferenças ideológicas e históricas em Doha, no Catar, para proteger o presidente do Sudão, Omar al-Bashir, de acusações de crimes contra a humanidade, ordenar estupros em massa e deixar parte da população de Darfur morrer de fome. Mas a cúpula da Liga Árabe, concluída ontem, não conseguiu esconder as profundas divisões entre o bloco e as Nações Unidas em relação à situação em Darfur. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez dura crítica em Doha a Bashir, indiciado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes em Darfur. A Liga Árabe, por seu lado, aprovou por unanimidade uma resolução forte, alertando que o TPI é um sinal da interferência do Ocidente sobre a política regional e rejeitando o mandado de prisão contra o sudanês.A poucos metros de Bashir, Ban exigiu que Cartum voltasse a admitir a entrada de ONGs humanitárias, expulsas após o indiciamento. "A situação de segurança no Sudão ainda é volátil e estou preocupado com a decisão de expulsar as ONGs", disse. Segundo a ONU, 1 milhão de pessoas estão sem nenhum tipo de assistência em Darfur por causa da decisão. Para ele, o trabalho humanitário "não pode ser politizado".Já o sudanês agradeceu a solidariedade. "Precisávamos de uma posição forte e clara rejeitando a decisão (do TPI) e demandando aqueles que a fabricaram de anulá-la", disse, ao final da cúpula concluída ontem, um dia antes do previsto. A ideia da Liga Árabe é de conseguir agora, por meio do Conselho de Segurança, que o mandado de prisão seja revisto.Sobre o TPI, Ban também mandou seu recado, mas de forma mais velada. Para ele, a "paz e justiça" devem caminhar juntos e governos devem estar "comprometidos com ambos". Os países árabes alegam que o indiciamento de Bashir prejudica as negociações de paz. "Precisamos caminhar juntos para superar a tensão causada pelo TPI", disse Ban. O presidente da Síria, Bashar Assad, foi o principal defensor de Bashir. Na foto oficial, o sudanês foi colocado estrategicamente no centro dos líderes, num sinal de apoio. "O mandado de prisão foi emitido para que outras potências coloquem suas mãos sobre as riquezas do Sudão. É a nova era colonial que alguns países querem instaurar", disse Assad.

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