Ban é obrigado a se esconder de partidários de Kadafi na sede da Liga Árabe

Em reunião com secretário da ONU, Amre Moussa diz respeitar resolução sobre intervenção na Líbia

Efe

21 de março de 2011 | 10h25

CAIRO - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se viu nesta segunda-feira, 21, obrigado a se refugiar na sede da Liga Árabe depois que vários manifestantes líbios que apoiam o líder Muamar Kadafi o impediram de sair do edifício, situado junto à praça Tahrir, no Cairo.

 

Veja também:

especialTwitter: Acompanhe os relatos de Lourival Sant'anna

especialLinha do Tempo: 40 anos de ditadura na Líbia

blog Arquivo: Kadafi nas páginas do Estado

especialInfográfico:  A revolta que abalou o Oriente Médio

especialCharge: O pensamento vivo de Kadafi

 

Os manifestantes se reuniram diante da porta principal da Liga Árabe e gritaram palavras de ordem contra Ban e o secretário-geral da Liga, Amre Moussa, assim como contra os Estados Unidos, o Reino Unido e França, e a favor de Kadafi.

 

Diante desta situação, Ban não conseguiu sair do edifício pelo acesso principal e teve que ser retirado por outra saída na qual também havia vários manifestantes.

 

Ban se reuniu nesta segunda-feira com Moussa para analisar a situação em vários países árabes, sobretudo na Líbia.

 

Em entrevista coletiva conjunta, realizada antes do incidente com os partidários de Kadafi, o secretário-geral da ONU pediu às autoridades líbias que deixem imediatamente de matar os civis e que os proteja.

 

Ban destacou a importância da coordenação entre a Liga Árabe e a ONU, e assegurou que sua organização continuará seu trabalho até que cheguem ao fim os combates na Líbia e colaborará no envio de ajuda humanitária ao país.

 

Além disso, louvou a postura da Liga Árabe, que pediu a imposição de uma zona de exclusão aérea na Líbia e insistiu na importância de que a comunidade internacional tenha uma só voz para que se possa cumprir a resolução do Conselho de Segurança.

 

Já Moussa disse: "Respeitamos a resolução do Conselho de Segurança e não temos nada contra ela, sobretudo porque diz não à invasão e à ocupação dos territórios líbios".

 

"Pedimos ao Conselho de Segurança a imposição de uma zona de exclusão aérea para impedir os ataques contra os civis, nossa decisão foi clara e nos comprometemos com ela", reiterou.

 

Neste domingo, Moussa criticou a intervenção militar internacional contra alvos líbios. "O que acontece na Líbia é diferente do objetivo de impor uma zona de exclusão aérea, o que queremos é proteger os civis e não bombardeá-los".

 

Uma coalizão formada por EUA, França, Reino Unido, Itália e Canadá deu início no sábado, 19, a uma intervenção militar no país, sob mandado da resolução 1973 do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A medida prevê a criação de uma zona de exclusão aérea na Líbia e a tomada de 'quaisquer medidas necessárias' para impedir o massacre de civis pelas tropas de Kadafi.

Tudo o que sabemos sobre:
LíbiaONUBan Ki-moonKadafiLiga Árabe

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.