Drew Angerer/Getty Images/AFP
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Ban Ki-moon critica ataque a comboio humanitário na Síria e diz que responsáveis são ‘covardes’

Em seu último discurso na Assembleia-Geral, secretário-geral da ONU também lamentou os casos de abuso sexual envolvendo as forças de paz da Organização na República Centro-Africana e o surto de cólera no Haiti

O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2016 | 14h52

NOVA YORK, EUA - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, abriu nesta terça-feira, 20, a 71ª sessão anual da Assembleia-Geral do organismo, pedindo o fim da violência na Síria. "Peço a todos aqueles que têm influência para alcançar o fim dos combates e o início das negociações", pediu ele. Ban acusou nesta o governo sírio de matar a maior parte dos civis mortos durante o conflito de cinco anos no país, e disse que "patronos poderosos que continuam alimentando a máquina de guerra também têm sangue em suas mãos".

Em seu último discurso à Assembleia-Geral da ONU no cargo, Ban disse que o governo sírio "continua a bombardear bairros e a sistematicamente torturar milhares de detidos". Ele deixa o cargo no final de 2016, após servir dois mandatos de cinco anos.

O secretário-geral criticou o "repugnante, selvagem e aparentemente deliberado" ataque na segunda-feira contra um comboio humanitário na Síria e exigiu prestação de contas para este e outros crimes. "Os trabalhadores humanitários que entregavam ajuda eram heróis. Aqueles que os bombardearam são covardes", disse.

Ele lembrou que a ONU se viu obrigada a suspender suas ações humanitárias como resultado do ataque, que atingiu um comboio humanitário das Nações Unidas e do Crescente Vermelho na região de Alepo, no norte da Síria. Na ação, morreram cerca de 20 civis e pelo menos um funcionário do Crescente Vermelho, segundo confirmou o Movimento Internacional da Cruz Vermelha.

O atentado ocorreu no mesmo dia em que o governo sírio deu por terminada uma trégua de sete dias que havia sido negociada por EUA e Rússia. A autoria do ataque não foi reivindicada por ninguém, mas fontes opositoras no terreno indicaram que se trataria de um bombardeio, recurso que caberia ao Exército sírio e à força aérea russa, aliada do regime do presidente sírio Bashar Assad. Ambos negam vinculação com o episódio.

Abusos. Ban também lamentou os casos de abuso sexual envolvendo as forças da paz da ONU na República Centro-Africana e o surto de cólera no Haiti. Ban disse que essas duas questões "mancharam a reputação da Organização das Nações Unidas e, ainda pior, traumatizaram muitas pessoas”. A ONU possui atualmente 106 mil militares e policiais em 16 missões de paz.

"Os desprezáveis atos de exploração e abuso sexual cometidos por diversos membros das forças da paz da ONU e outros funcionários agravaram o sofrimento de pessoas que já estavam no meio de um conflito armado, e prejudicaram o trabalho de muitas pessoas pelo mundo", disse Ban. "Protetores nunca devem se tornar predadores."

Sobre o Haiti, Ban trabalha em uma nova resposta ao surto de cólera. O país estava livre da doença até 2010, quando membros das forças de paz da ONU despejaram dejetos infectados em um rio. "Sinto tremendo remorso e tristeza com o profundo sofrimento dos haitianos afetados pelo cólera", disse ele. "Vamos trabalhar juntos para cumprir nossas obrigações com o povo haitiano". Ban afirmou que é "responsabilidade moral" da ONU fazer isso.

Um estudo de 2011 do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA apontou que forças de paz da ONU provenientes do Nepal, onde a cólera é endêmica, devem ter causado o surto no Haiti. Desde então, mais de 9 mil pessoas morreram em razão da doença, que causa diarréia incontrolável, e 800 mil pessoas adoeceram, a maioria nos primeiros dois anos do surto.

A ONU não aceitou legalmente a responsabilidade pelo ocorrido. Um comitê independente indicado por Ban divulgou um relatório em 2011 que não determinou conclusivamente como a doença foi introduzida no país. / REUTERS, AFP e EFE

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