Ban Ki-moon se reunirá com chefe militar em Mianmar, diz ONU

Secretário-geral chega na quarta-feira; organização diz que 500 mil dos 2,5 mi de desabrigados receberam ajuda

Agências internacionais,

20 de maio de 2008 | 09h54

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, se reunirá com o líder da junta militar de Mianmar nesta semana, quando realizará uma visita oficial ao isolado país asiático para discutir a assistência às vítimas do ciclone Nargis. O subsecretário-geral da ONU para assuntos humanitários, John Holmes, anunciou que Ban deverá chegar a Mianmar na quinta-feira, 22, para conversar com os líderes locais e para inspecionar a área devastada. Ele deverá participar no domingo de uma reunião de doadores em Rangum. Holmes estava em Genebra nesta terça-feira, 20, com o objetivo de persuadir a junta militar birmanesa a aceitar a entrada de mais assistência internacional às vítimas do ciclone Nargis, que atingiu Mianmar entre 2 e 3 de maio, deixando mais de 70 mil mortos e dezenas de milhares de desaparecidos. De acordo com a ONU, das 2,4 milhões de pessoas afetadas pela tempestade, apenas 500 mil receberam ajuda internacional até agora. Cerca de 1,4 milhão ainda precisam de ajuda urgente e os agentes humanitários ainda não chegaram a algumas áreas do delta do Rio Irrawaddy devastadas pelo ciclone do início do mês, disse Elisabeth Byrs, porta-voz da Agência de Coordenação Humanitária da ONU, conhecida pelas iniciais Ocha. Ainda nesta terça, o diretor-gerente do Banco Mundial, Juan Jose Daboub, disse que a instituição não enviará ajuda financeira ou fará empréstimos para Mianmar, em razão das enormes dívidas do país com o banco. Segundo Daboub, o Banco Mundial trabalha com países do sudeste asiático para fornecer apoio técnico com o objetivo de avaliar os prejuízos e ajudá-los no planejamento da reconstrução do país, mas que e o banco "não está na posição" de fornecer recursos financeiros a Mianmar porque o governo militar do país vem atrasando seus pagamentos com a instituição desde 1998.  As Nações Unidas e os países ocidentais persistem com sua pressão para que o governo permita o desembarque de equipes militares com ajuda humanitária para os 2,4 milhões de desabrigados. Quatro navios militares dos Estados Unidos, um francês e outro britânico continuam ancorados a poucos quilômetros da costa de Mianmar.  Os navios americanos, que transportam ainda 14 helicópteros, dois botes anfíbios e 120 médicos da Marinha, têm capacidade para purificar 265 mil litros diários de água para consumo humano. As embarcações francesa e britânica contam com equipamento e pessoal especializado na assistência a zonas atingidas por desastres naturais. A Junta se mostra reticente a permitir que os militares desembarquem em sua costa, mas poderia aceitar que países do sudeste da Ásia atuem como intermediários para desembarcar a ajuda. Mianmar chegou a um acordo na segunda com a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) para autorizar a entrada de equipes de médicos e voluntários desta região nas zonas devastadas pelo ciclone. O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, afirmou no fim de semana que fará com que a ajuda chegue a Mianmar mesmo sem a autorização das autoridades birmanesas, caso o bloqueio continue por mais tempo. Os dados oficiais da Junta Militar reconhecem até o momento 78 mil mortes e 56 mil desaparecidos. A Junta, que limita a entrada no país de pessoal da ONU, controla a ajuda em seus armazéns e permite que apenas seus soldados distribuam alimentos entre os sobreviventes. O porta-voz do Programa Mundial de Alimentos da ONU, Marcus Prior, assegurou que 70% dos sobreviventes do ciclone continuam sem receber os alimentos enviados pela comunidade internacional, e a ONG Save the Children advertiu que milhares de crianças morrerão nas próximas semanas se não tiverem acesso à ajuda.

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