Ban Ki-moon visita o Sudão para tratar da crise de Darfur

Secretário deve discutir mobilização da força mista das ONU e da União Africana (UA) na região do conflito

PATRICK WORSNI, REUTERS

03 de setembro de 2007 | 10h44

O secretário-geral da ONU, BanKi-moon, viaja na segunda-feira ao Sudão, onde pretende lançaras bases para negociações sobre o conflito de Darfur e o enviode milhares de tropas de paz para lá. Ban, que viaja a Cartum depois de participar de umaconferência de funcionários da ONU em Turim, vai pressionar opresidente do Sudão, Omar Hassan al-Bashir, a aceitar seusplanos. Além disso, o sul-coreano visitará um campo derefugiados na própria região de Darfur, no oeste do país. Embora o foco seja Darfur, a visita de seis dias incluirátambém uma viagem ao sul do Sudão, onde tentará reforçar umacordo de paz que em 2005 encerrou duas décadas de guerra entreo norte e o sul, que matou 2 milhões de pessoas. Ban também iráaos vizinhos Chade e Líbia. Especialistas internacionais estimam que cerca de 200 milpessoas tenham morrido e 2,5 milhões tenham sido expulsas desuas casas em quatro anos e meio de guerra em Darfur, iniciadadepois que grupos rebeldes nativos pegaram em armas contra ogoverno, que por sua vez armou milícias árabes. Cartum diz quea guerra fez apenas 9.000 mortos. Na semana passada, Ban delineou uma abordagem de trêspontos contra a crise: o envio de 26 mil soldados e policiaisda ONU e da União Africana, aprovado em julho pelo Conselho deSegurança; negociações de paz previstas inicialmente paraoutubro; e envio de ajuda. Em entrevista na segunda-feira ao jornal italiano LaRepubblica, Ban disse que os países ocidentais, inclusive aItália, precisam fornecer militares especializados para amissão. "Precisamos de patrimônio técnico e logístico, capacidadede transporte aéreo, e para isso estamos torcendo pelacontribuição dos países europeus", declarou. Assessores de Ban buscaram minimizar as expectativas daviagem. "Não se trata de uma viagem para soluções", disse umdeles. A violência vem voltando a se intensificar em Darfur, o queBan disse ser "simplesmente inaceitável." A parte mais importante da estratégia dele é o processo denegociação entre Cartum e a maioria dos cerca de 12 gruposrebeldes de Darfur. É possível que Ban anuncie o local dessesencontros durante a visita ao Sudão. Embora Bashir aceite a negociação e o envio da força depaz, os governos ocidentais continuam suspeitando da suasinceridade. Na semana passada, Grã-Bretanha e França voltarama cogitar sanções caso o Sudão não coopere. Mas diplomatas ocidentais admitem que parte do Conselho deSegurança, inclusive a China, que tem poder de veto, são contraas sanções no momento. O embaixador da China no Sudão disse nodomingo que "as sanções não podem ajudar a resolver oproblema.".

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