Bancada rebelde deixa presidente chilena em apuros

Só dois dólares, em vez de 90 milhões,foi a verba que o Congresso chileno liberou para o sistema detransportes em Santiago, apesar de o governo, teoricamente, termaioria parlamentar. A rebelião de alguns parlamentares governistas estáinclinando a balança em favor da oposição e causando mais umador de cabeça para a presidente Michelle Bachelet. O mandato dela começou, em março de 2006, com uma cômodamaioria na Câmara e uma estreita vantagem no Senado. Masparlamentares descontentes com o governo estão remexendo opanorama político chileno. Numa grave derrota política, o governo da coalizãoConcertación (centro-esquerda) não conseguiu aprovar no Senado,na terça-feira, a liberação de 90 milhões de dólares para osistema Transantiago, que é até agora o maior problema dagestão Bachelet. Os senadores ratificaram a decisão de alguns dias atrás, deconceder apenas mil pesos (cerca de dois dólares) para oTransantiago. "Acho que [a rebelião parlamentar] veio para ficar.Parece-me que cada vez mais essa maioria terá de ser construídacaso a caso", disse à Reuters o professor de Ciência PolíticaFabián Pressacco, da Universidade Alberto Hurtado. "O governo terá de acentuar sua habilidade negociadora, deconversação e de diálogo com esses legisladores para conseguirseu respaldo em alguns projetos de lei que lhe sãoemblemáticos", acrescentou. A Concertación, formada principalmente por socialistas edemocratas-cristãos, governa o Chile desde o fim da ditadura deAugusto Pinochet, em 1990. Já foram quatro presidentesconsecutivos. O projeto Transantiago começou em fevereiro, com umamudança completa no percurso dos ônibus da capital. Mas, em vezde encurtar os trajetos, houve inconvenientes e atrasos, o queabalou diretamente a popularidade de Bachelet.

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