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Banco Central da Venezuela desenvolverá sistema de pagamento independente

País quer criar alternativa às multinacionais Visa e MasterCard em razão da sanções dos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2019 | 22h46

CARACAS - O Banco Central da Venezuela (BCV) anunciou nesta quarta-feira, 22, que deverá desenvolver um sistema de pagamento com débito e crédito independente das multinacionais Visa e MasterCard, após sanções dos Estados Unidos contra o governo de Nicolás Maduro. 

O órgão emissor e a Superintendência do Setor Bancário (Sudeban) ordenaram que fosse desenhada “uma plataforma tecnológica para a operação dos meios de pagamento, que funcionará de maneira complementar aos que já funcionam (...), preservando ao máximo os mecanismos de pagamento tradicionais”, disse o BCV em comunicado à imprensa. 

Uma circular conjunta, do BCV e do Sudeban, foi enviada aos bancos públicos e privados estabelecendo o prazo de 30 de novembro de 2019 no caso de operações com cartões de débito, e 30 de janeiro de 2020 para transações com cartões de crédito. 

Segundo o documento, a medida responde à “emergência provocada pelas ameaças e recentes sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos”. As medidas americanas “afetam o funcionamento normal” dos meios de pagamentos “vinculados às franquias Visa, Mastercard e Maestro”. 

Em março, a imprensa informou que Washington estava considerando limitar as operações de crédito e débito na Venezuela em sua crescente pressão contra Maduro e em apoio a Juan Guaidó, chefe do Parlamento e reconhecido como presidente interino por cerca de 50 países.

Um mês depois, o governo de Donald Trump impôs sanções ao BCV, que proibiam transações de entidades americanas com o órgão venezuelano, restringindo seu acesso a dólares. 

“Temos uma ameaça (...). Agora nos bancos públicos, com as sanções, não temos quase correspondentes e os bancos privados estão sofrendo no momento com essas medidas, que se tornam mais agressivas (...). Vamos proteger nosso sistema de pagamento”, disse Antonio Morales, superintendente da Sudeban, em vídeo transmitido pela instituição.

No entanto, o BCV esclareceu que “não pretende declarar o cessamento de operações com as franquias internacionais de cartões de débito e crédito”. 

Especialistas consultados pela AFP consideram que os prazos impostos são inviáveis. “É muito difícil que possam cumprir”, comentou César Aristimuño, presidente da firma financeira Aristimuño Herrera & Associados, destacando que uma nova plataforma deve ser submetida a testes e, além disso, os comércios precisam ser equipados para sua adoção. 

“Uma decisão precipitada poderia provocar um colapso do sistema de pagamentos”, advertiu Jesús Casique, diretor da consultoria Capital Market. / AFP 

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